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O tamanho do problema enfrentado pelo agricultor Sebastião Bernardo da Silva, de Vitória, no Espírito Santo, pode ser medido pelo conteúdo do saco com um metro de altura. Ali, estão depositadas as embalagens dos medicamentos usados para tratar os problemas decorrentes do envenenamento pelo uso de agrotóxico. Com 68 anos e aposentado por invalidez, Sebastião carrega no corpo as consequências de cinco anos de uso do glifosato em sua pequena lavoura de café. Ao todo, foram mais de 100 mil comprimidos tomados para tratar doenças como epilepsia, esquizofrenia, depressão, pressão alta, diabetes, glaucoma, alteração do sistema nervoso central e artrose, como informou o site do jornal A Gazeta (7/3). Reportagem publicada pela Agência Pública e Repórter Brasil (7/4) registrou que a saúde de Sebastião foi prejudicada pelo uso do herbicida Round Up, produto da multinacional Bayer/Monsanto que tem como base o glifosato.

A extensão do dano é permanente: ainda havia resíduos do agrotóxico no sangue de Sebastião 11 anos após ele ter parado de usá-lo. Hoje, ele luta para que a empresa reconheça as sequelas da intoxicação, comprovadas por laudos médicos. “Quero deixar um recado para que as pessoas deixem de usar esse veneno. Ele destrói o ser humano. Quando não morre na hora, vai morrendo aos poucos assim como eu. A cada ano aparece uma enfermidade diferente no meu corpo. Hoje, se me derem qualquer valor em dinheiro para trabalhar com isso, eu rejeito”, disse o agricultor. O glifosato é o agrotóxico mais vendido no mundo e o cerco ao pesticida se fecha, menos no Brasil. Em outubro de 2019, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) renovou a licença de comercialização e considerou o produto menos perigoso, reduzindo sua classificação de toxicidade, como apontaram a Agência Pública e o Repórter Brasil (31/10). Segundo o G1 (26/2), é provável que o grupo alemão Bayer pague até US$ 12 bilhões em processos movidos por consumidores. Nos Estados Unidos, havia, em janeiro, 80 mil processos. Na União Europeia, a Áustria já baniu o produto e Alemanha e França iniciaram uma proibição gradual.