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As torneiras de parte da cidade do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense despejaram água com coloração, cheiro e sabor entre 5 e 22 de janeiro. Moradores relataram ardência nos olhos e ânsia de vômito após o consumo. A Cedae, companhia que abastece a área, afirmou que uma substância orgânica produzida por algas, chamada geosmina, era a responsável pela mudança na qualidade da água. E acrescentou não haver risco à saúde.

Gandhi Giordano, professor do Departamento de Engenharia Sanitária da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), avaliou que faltou transparência nos dados divulgados pela empresa, em entrevista ao site da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). Ele esteve presente em uma vistoria na Estação de Tratamento de Águas do Guandu, manancial que abastece o Rio de Janeiro e municípios vizinhos, em 13 de janeiro, a convite do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ).

Para Giordano, o padrão de potabilidade da água (Radis 188) no Brasil é arcaico: “Em relação aos Estados Unidos ou a países da Europa, nós somos muito permissivos. Os índices de tolerância [de substâncias na água] foram reduzidos para atender à realidade brasileira e são muito mais baixos que em outros países”.

Seis pesquisadores de diversos departamentos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) assinaram nota técnica, em 15 de janeiro, em que informam que “a geosmina não é tóxica, mas pode indicar problemas na qualidade da água bruta utilizada para o abastecimento”.

A geosmina é produzida por algumas bactérias heterotróficas ou cianobactérias, que crescem em abundância em ambientes aquáticos com altas concentrações de nutrientes, especialmente em mananciais que recebem esgotos não tratados. Apesar de conferir odor e sabor em intensidade, que causa objeção ao consumo humano, a geosmina não é tóxica.