Fotografia: Victor Moriyama / Greenpeace.

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A Amazônia esteve no centro das atenções, desde que o desmatamento alcançou números ameaçadores e os focos de incêndio se alastraram. Enquanto o mundo inteiro manifestava preocupação com o futuro da região e crescia o debate sobre as implicações ambientais, políticas e econômicas acarretadas pelo fenômeno, um festival de desinformação tomava conta das redes sociais. Dados controversos eram apresentados, postagens traziam fotos fora de contexto e o presidente Jair Bolsonaro chegou a responsabilizar as ONGs (21/8), sem no entanto apresentar provas, o que provocou uma reação imediata, inclusive no exterior.

A agência de notícias Aos Fatos (23/8) preparou um extenso material sobre o assunto. Nele, cientistas apontam que há fortes evidências de que o desmatamento esteja por trás do surto de incêndios no país. O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) divulgou uma nota técnica mostrando que, no geral, os municípios onde mais aconteceram queimadas foram também aqueles onde mais se desmatou. Como demonstrou a Aos Fatos, no documento, os técnicos afirmam que “a Amazônia está queimando mais em 2019, e o período seco, por si só, não explica este aumento”.

A área da Amazônia queimada neste ano foi 74% maior do que a média dos últimos dez anos, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).


Até o dia 19/8, em todo o Brasil, foram registrados 76.720 focos de fogo, o maior número desde 2010.

E no G7...

As preocupações globais se intensificaram, com o presidente francês, Emmanuel Macron, encabeçando os protestos. Em sua rede social, Jair Bolsonaro disse (23/8) que Macron tentava “instrumentalizar” uma questão interna do Brasil evocando uma “mentalidade colonialista descabida no século 21”. O assunto das queimadas e do desmatamento na Amazônia foi levado pelo próprio Macron à reunião do G7 — grupo formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Na abertura do encontro (23/8), o mandatário francês conclamou as potências presentes a se mobilizarem em defesa da Amazônia. Ao final da reunião (26/8), ele anunciou que a cúpula do G7 concordou em ajudar o Brasil e todos os países afetados pelos incêndios “o mais rápido possível”, inclusive investindo em reflorestamento, segundo informou O Globo (25/8).


Não podemos permitir mais danos para a principal fonte de oxigênio e biodiversidade.Não podemos permitir mais danos para a principal fonte de oxigênio e biodiversidade. A Amazônia deve ser protegida.

António Guterres, secretário-geral da ONU, em sua conta no Twitter (22/8).

Marcha das mulheres indígenas

No início de agosto (13/8), lideranças de 113 povos já saiam em defesa da Amazônia e da demarcação de terras durante a Primeira Marcha das Mulheres Indígenas, que aconteceu em Brasília. Sob o lema “Território: nosso corpo, nosso espírito”, elas marcharam ainda por um sistema de saúde de qualidade e pela garantia de direitos aos índios. Em declaração à revista Exame (13/8), a ativista Célia Xakriabá resumiu assim a atividade: “Os corações, as mãos e os pés das mulheres indígenas também guardam conhecimento e seremos nós, mulheres indígenas, com nossos corpos que vamos descolonizar essa sociedade brasileira que tem matado a nossa história e a nossa memória”. Organizada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a marcha ocorreu em meio ao Fórum Nacional de Mulheres Indígenas e, entre outras atividades, contou ainda com um seminário na Câmara e um encontro de um grupo de líderes indígenas com a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia. Veja o documento final da Marcha em http://bit.do/e5HPN