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As marcas deixadas pela chikungunya — doença viral transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti — envolvem lesões vasculares irreversíveis, revela pesquisa inédita realizada pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O levantamento, feito de março a novembro de 2016, mostrou que os pacientes apresentaram problemas como linfedema agudo (acúmulo de líquido nas pernas devido ao bloqueio do sistema linfático) e edema no dorso do pé. Os relatos indicam pernas pesadas, inchaço nos pés e dificuldades para andar: dos 32 pacientes analisados pelo estudo, 29 voltaram para ser acompanhados pelos médicos do hospital, 20 repetiram o exame e foi constatado que 65% apresentavam alterações vasculares crônicas, noticiou a BBC Brasil (12/2).

O novo surto de febre amarela, no início de 2017, fez com que a chikungunya perdesse a atenção da mídia, mas o problema não deve ser negligenciado: foram registrados 271.824 mil casos da doença no país em 2016, um aumento expressivo em relação aos 36 mil observados em 2015 — a maior incidência foi no Nordeste, que concentrou cerca de 86% das ocorrências. O número de mortes subiu de 14 em 2015 para 196 em 2016. Segundo a cirurgiã vascular responsável pelo estudo, Catarina Almeida, as manifestações vasculares da doença estavam restritas a fases iniciais, mas a pesquisa mostrou não só uma nova manifestação como a cronificação dela, afirmou à BBC Brasil. A matéria ainda aponta que esses pacientes vão precisar aprender a “conviver” com as dores provocadas pela doença. Para amenizá-las, o recomendado é o uso de meias de compressão, a drenagem linfática e a elevação dos pés.