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Uma mulher de 90 anos foi a primeira pessoa a receber a vacina no Reino Unido contra o novoUma mulher de 90 anos foi a primeira pessoa a receber a vacina no Reino Unido contra o novocoronavírus (8/12). O feito repercutiu na imprensa de todo o mundo no mesmo dia em que, noBrasil, governadores cobravam do Ministério da Saúde definições mais concretas sobre o plano nacionalde imunização contra a covid-19. Apresentado em uma versão preliminar pelo governo no dia 1º dedezembro, o plano recebeu críticas e deixou muitas dúvidas sobre datas, logística e mesmo a comprade imunizantes. Inicialmente, a ideia era começar a vacinação entre março e junho e em quatro etapas,priorizando em um primeiro momento profissionais de saúde, idosos a partir de 75 anos e populaçãoindígena. Mas um plano final de vacinação só deve ser oficialmente apresentado quando surgir umimunizante registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), como anunciou o Ministérioda Saúde, sem especificar quais vacinas poderão ser incluídas, sublinhou o El País (1/12).

Indefinição

O secretário de Vigilância em Saúde, ArnaldoO secretário de Vigilância em Saúde, ArnaldoMedeiros, definiu o perfil da vacina desejadapelo governo: um imunizante de elevada eficácia,possível de ser usado em diversas faixas etárias egrupos populacionais, idealmente de dose única eque seja “fundamentalmente termoestável por longosperíodos em temperaturas 2°C a 8°C”. Emborao secretário não tenha citado nenhum laboratório,a descrição descartaria a vacina desenvolvida pelafarmacêutica Pfizer, que precisa ser armazenada a-70°C, como pontuou o El País (1°/12). Até agora,o governo tem garantidas 142,9 milhões de dosesde vacinas, por meio dos acordos da Fiocruz coma AstraZeneca (que garante 100,4 milhões), e doCovax Facility, com 42,5 milhões (G1, 1°/12). Emnota no início de dezembro, secretários estaduaise municipais de saúde pediam que o governo federaladquirisse todas as vacinas contra a covid-19com eficácia e segurança comprovadas, além derecomendar a vacinação de toda a população omais breve possível com um plano nacional deimunizações unificado (G1, 5/12).

Críticas ao plano nacional

Em artigo publicado no jornal OEm artigo publicado no jornal OEstado de S. Paulo (3/12), o ex--presidente da Anvisa, Gonzalo Vecinacriticou o plano do Ministério da Saúde.“O plano proposto de vacinação queparte da existência de uma única vacinae da ficção do Covax Facility é de umcartorialismo criminoso. Ignorar que somenteno Brasil tivemos quatro vacinasem teste e provavelmente exitosas e quedeveriam ter merecido um esforço denegociação do governo é inaceitável”.O sanitarista também destacou quepropor o início da vacinação em março eque se alcance no máximo um terço dapopulação ano que vem significa “nãorealizar nenhum mínimo esforço de tentaroferecer alternativas à população”.

Disputas

O anúncio de que o estado de São Paulo dará início à vacinação contra a covid-19 no final deO anúncio de que o estado de São Paulo dará início à vacinação contra a covid-19 no final dejaneiro de 2021 aumentou a pressão para que o Ministério da Saúde ofereça uma respostarápida para imunizar os brasileiros contra a doença, resumiu o Nexo Jornal (9/12). Como repercutiuo Outra Saúde (9/12), o governador do Maranhão, Flávio Dino, ingressou (7/12) com uma açãono Supremo solicitando que o estado seja autorizado a criar seu próprio programa de vacinaçãoe a adquirir imunizantes que tenham sido aprovados em outro país. Na mesma linha, o Consórciode Governadores do Nordeste reuniu-se (8/12) com Pazuello para defender a inclusão de múltiplasvacinas no plano nacional. Em meio às tensões, a única certeza é a de que a imunização no Brasilsegue imersa em indefinições.