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Fotografia: REUTERS/Amanda Perobelli.

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As enchentes nos primeiros meses do ano, com cidades alagadas, mortes e pessoas desabrigadas, retornaram ao noticiário. Para especialistas em planejamento urbano, a culpa não é da natureza, mas da ação humana e da necessidade de rever o modelo urbanístico e ambiental, como afirmou Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP) e relator do Plano Diretor da capital paulista, em artigo na Folha de S. Paulo (10/2). “Os eventos extremos gerados pelas mudanças climáticas vieram para ficar e serão cada vez mais contundentes. O governo não pode mais continuar negligenciando essa questão”, ressaltou.

Uma combinação de descaso do poder público com a política ambiental, em que se mostra a ausência de medidas capazes de mitigar os efeitos do aquecimento global, e crescimento das cidades sem respeitar o meio físico, com solo impermeabilizado e cada vez menos áreas verdes, leva ao cenário visto em São Paulo no início de fevereiro, de acordo com o urbanista. Para Silvia Passarelli, professora de Engenharia Ambiental e Urbana da Universidade Federal do ABC (UFABC), a justificativa dos governos de atribuir o cenário de caos à chuva excessiva não é válida, como afirmou ao Nexo (10/2). “Não há nenhuma ação de redução de danos. O que está sendo feito para melhorar as condições dos rios?”, questiona.

Em Belo Horizonte, janeiro foi o mês mais chuvoso em 100 anos: as enchentes destruíram parte da cidade e provocaram a morte de 55 pessoas em 6 dias. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) manifestou preocupação com os municípios mineiros e capixabas por onde passam os rios Doce e Paraopeba, que foram atingidos respectivamente pelos rompimentos das barragens da Samarco, em 2015, e da Vale, em 2019. O depósito dos rejeitos de mineração no leito e nas margens dos rios potencializou a tragédia provocada pelas enchentes: imóveis ficaram alagados em cidades em Minas e no Espírito Santo banhadas pelo rio Doce. O MP cobra medidas para que não ocorram novos impactos produzidos pelos rejeitos dispersos no ambiente, como noticiou a Agência Brasil (4/2).