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A Fiocruz inaugurou um laboratório de biossegurança permanente na Estação Antártica Comandante Ferraz, na ilha Rei George, em 15 de janeiro. Os pesquisadores do Fiolab estudam vírus, bactérias, fungos, líquidos, micobactérias e helmintos, que podem estar presentes nos animais que vivem ou circulam pela região, nas águas, nos solos, nas rochas e ainda sem permafrost, que é um tipo de solo encontrado na região do Ártico e formado por terra, gelo e rocha que estão permanentemente congelados. Apesar da enorme variedade de organismos e de um ecossistema rico e diversificado, ainda são poucos os estudos sobre o impacto desses ambientes sobre a saúde de animais, seres humanos ou sobre o próprio continente e a América do Sul.

Outra linha de pesquisa é uma bioprospecção. Os organismos extremos - que vivem em ambientes extremos - aqueles em sua constituição moléculas e competências fisiológicas e químicas diferenciadas que vêem em outros lugares, que foram executados ao longo do seu processo evolutivo para lidar com esse ambiente. Os pesquisadores buscarão identificar quais desses organismos têm potencial para o desenvolvimento de novas tecnologias e produtos em saúde, como medicamentos e insumos.

O novo laboratório que pode ser usado como amostras biológicas colhidas por cientistas brasileiros na Antártica sejam processadas. Até o momento, era necessário aguardar até o final do verão, em abril, quando os navios da Marinha retornavam ao Rio de Janeiro, para acessar as temperaturas, o que fica congelado no bordo. “Isso faz uma enorme diferença na pesquisa. É muito melhor trabalhar com novas barras, explicado ou pesquisador da Fiocruz e coordenador do projeto Fioantar, Win Degrave, da Agência Fiocruz de Notícias.

O Fiolab é resultado de um acordo de cooperação firmado com uma Secretaria da Comissão Interministerial de Recursos do Mar (Secirm / Marinha do Brasil), a partir de um edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq / MCTIC) para o desenvolvimento de pesquisas na região.

A nova Estação Antártica Comandante Ferraz foi inaugurada oito anos após um incêndio consumindo parte da estrutura anterior, matando duas pessoas (G1, 17/1). O Brasil é um dos 29 países presentes no continente, que não tem governo e não pertence a nenhuma nação, e é considerada uma área de preservação científica.

Segundo o Ministério da Ciência (MCTIC), há pesquisas que estão sendo usadas como benefícios para áreas de medicina, com aplicação de medicamentos; da agricultura, sem desenvolvimento de novos pesticidas e herbicidas; e da indústria, na fabricação de produtos como anticongelantes e protetores solares.

Dentre elas, há estudos para investigar como mudanças climáticas e equilíbrio do ecossistema - o clima na América do Sul é fortemente influenciado pela Antártica. De acordo com o ministério, essas pesquisas são fundamentais para a previsão de mudanças futuras no Brasil.