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Em plena pandemia de covid-19, uma boa notícia: Pesquisadores comprovam a eficácia de um medicamento injetável para a prevenção ao HIV. O estudo batizado de HPTN 083 comprovou que injeções de cabotegravir a cada oito semanas são altamente eficazes como Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) entre homens cisgêneros e mulheres transgêneros que fazem sexo com homens. “Esta é uma conquista sem precedentes para o campo da prevenção do HIV. O cabotegravir de ação prolongada como PrEP fornece uma arma nova e poderosa que pode realmente fazer a diferença no objetivo de acabar com a aids até 2030”, destacou Beatriz Grinsztejn, chefe do laboratório de Pesquisa Clínica em DST e Aids do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), que coordenou em nível global o ensaio clínico, em parceria com Raphael Landovitz, professor associado da Divisão de Doenças Infecciosas da David Geffen School of Medicine, na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

O anúncio, feito em 18 de maio pela Rede de Estudos de Prevenção do HIV (HIV Prevention Trials Network - HPTN), repercutiu positivamente no Brasil.  Primeiro ensaio clínico em larga escala de um medicamento injetável de ação prolongada com potencial para ser usado na prevenção ao HIV, o HPTN 083 comparou, a partir de 2016, a eficácia e a segurança do cabotegravir com a truvada em 4.570 voluntários HIV negativos em 43 centros de pesquisa de África do Sul, Argentina, Brasil, Estados Unidos da América, Peru, Tailândia e Vietnã). Os participantes, todos considerados sob risco aumentado de contrair o HIV, foram aleatoriamente designados para receber cabotegravir injetável de ação prolongada a cada oito semanas ou usar truvada diariamente como PrEP, na chamada fase cega do estudo – quando nem os participantes nem os pesquisadores sabem que medicamento os pacientes estão recebendo).

Na primeira das três análises intermediárias previstas no protocolo o comitê de  monitoramento de dados e segurança verificou, no entanto, que os dados mostravam a alta eficácia do cabotegravir, já que entre os que usaram cabotegravir a taxa de aquisição da infecção pelo HIV era muito mais baixa do que entre os que usaram truvada em dose diária. A comprovação encerra a fase cega do estudo, que continua. Segundo Beatriz, após serem informados sobre os resultados obtidos e quais medicamentos receberam, os participantes poderão optar se continuarão recebendo a medicação oral (truvada) ou a alternativa injetável (cabotegravir) tão logo o Cabotegravir injetável esteja disponível.

Ela informou à Radis que ainda não há previsão para que o medicamento possa ser usado no Brasil, já que ainda é preciso registrar a nova tecnologia na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Depois disso, o tratamento ainda passará por diferentes instâncias do Ministério da Saúde. A pesquisa foi financiada pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (National Institute of Allergy and Infectious Diseases - NIAID), ligado aos Institutos Nacionais da Saúde (National Institutes of Health - NIH) em copatrocínio com o Ministério da Saúde do Brasil.