Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do IOC/Fiocruz recebeu amostras não-infectantes do 2019-nCoV para serem usadas em exames. Fotografia: Josué Damascena/IOC Fiocruz.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o avanço do novo coronavírus — 2019-nCoV — como uma emergência de saúde pública de interesse internacional, em 30 de janeiro (BBC, 30/1). Até então, o vírus havia infectado 7,7 mil pessoas na China (e cerca de 100 em outros 18 países) e deixado 170 mortos.

A OMS define oficialmente "emergência global" como um "evento extraordinário que constitui um risco à saúde pública para outros Estados por meio da disseminação internacional de doenças e potencialmente exige uma resposta internacional coordenada".

Ao classificar assim a epidemia, a organização recomenda que autoridades de saúde do mundo inteiro aumentem seu monitoramento da doença e fiquem de prontidão para eventualmente adotar medidas de contenção.

Os coronavírus são microrganismos que se modificam com facilidade. A suspeita é de que o 2019-nCoV surgiu no final de dezembro na cidade de Wuhan, na província de Hubei, em um mercado de animais vivos, já que a imensa maioria dos primeiros pacientes esteve lá. É provável que o vírus tenha passado de um hóspede primário, como um morcego, a outra espécie por alguma adaptação e mutação, e depois a pessoas (El Pais Brasil, 23/1).

Os tipos mais comuns dos coronavírus geram doenças respiratórias leves, como resfriados, mas outras variantes podem causar pneumonia e levar à morte. Os sintomas incluem febre, tosse e dificuldade em respirar. Não existe vacina. Nos últimos 20 anos, dois surtos mundiais ligados aos coronavírus acarretaram mais de 10 mil mortes.

Há registros também de transmissão de pessoa para pessoa. "Há evidências de que estava sendo disseminado por meio de 'transmissão respiratória'”, como disse o vice-ministro da Comissão Nacional de Saúde, Li Bin, a jornalistas (Folha de S.Paulo, 22/1).

O uso de máscaras, muito comum na Ásia, se tornou obrigatório em prédios públicos. Autoridades isolaram 13 cidades da província de Hubei, área com cerca de 40 milhões de habitantes, e anunciaram o fechamento de diversas atrações turísticas e a paralisação de serviços de transporte público.

O Brasil tinha nove casos suspeitos sendo investigados até 30 de janeiro, em seis estados (G1, 30/1). Houve 43 notificações no país, das quais 28 foram excluídas (não apresentaram os requisitos para serem enquadradas como suspeitas) e seis foram descartadas (a investigação descartou o vírus).

Em coletiva, o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, afirmou que o 2019-nCoV não era uma emergência de saúde pública de importância nacional, pois nenhum caso fora confirmado.

A Fiocruz, referência nacional para diagnóstico laboratorial de vírus respiratórios junto ao Ministério da Saúde, por meio do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), criou uma Sala de Situação em Saúde dedicada a ampliar o conhecimento, monitorar e acompanhar a situação do novo coronavírus, em 24 de janeiro.

No dia 30, a fundação — que participa do comitê de operações de emergência do Ministério da Saúde — recebeu amostras não-infectantes do 2019-nCoV para serem usadas em exames e estava treinando profissionais de todo o Brasil para sua realização em outros estados.