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Em um evento que exalta a superação dos limites do corpo, os Jogos Olímpicos de Tóquio acabaram marcados pelo reconhecimento de que mesmo atletas de ponta precisam impor limites para manter sua saúde mental. Na cerimônia de abertura, em 23 de julho, acendeu a pira olímpica a tenista japonesa Naomi Osaka, número 2 do ranking mundial. Em maio, ela anunciou nas redes sociais sua intenção de não participar de entrevistas coletivas durante o torneio de Roland Garros: “Frequentemente sinto que pessoas não têm consideração pela saúde mental de atletas, e isso parece muito verdadeiro sempre que vejo uma entrevista coletiva ou participo de uma. Ficamos lá e ouvimos perguntas que já foram feitas várias vezes ou perguntas que colocam dúvidas em nossas mentes, e não vou me sujeitar a pessoas que duvidam de mim. Já vi muitos clipes de atletas desabando após derrotas na sala de coletivas e sei que vocês também. Acredito que a situação toda é chutar uma pessoa quando ela está abatida e não entendo a motivação”. A tenista foi multada pela organização do campeonato e abandonou a disputa, afirmando sofrer "enormes ondas de ansiedade" e "longos surtos de depressão". Maior estrela da ginástica artística dos Estados Unidos, Simone Biles foi para Tóquio carregando a pressão de ganhar um recorde de seis medalhas de ouro, o que a tornaria a atleta olímpica mais bem-sucedida de todos os tempos em qualquer esporte. Para preservar seu bem-estar emocional, ela decidiu ficar fora de uma série de provas das Olimpíadas. "Colocar a questão da saúde mental em cima da mesa significa muito para mim porque as pessoas precisam entender que somos seres humanos", disse a atleta, que ganhou uma prata e um bronze. "Minha saúde física e mental conta mais do que todas as medalhas que posso ganhar".