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A tecnologia veio ajudar a mudar a realidade dos bancos de sangue onde os “nãos” dados à doação ainda acontecem em maior quantidade que um necessário “sim”. No Rio Grande do Sul, o Banco de Sangue Virtual está conseguindo mudar esse panorama e aumentar os estoques dos bancos ao conectar os dados de quem necessita de sangue com quem está disposto a doar. Criado pelo publicitário Ricardo Nunes, o Banco de Sangue Virtual foi lançado em junho de 2017 e já conta com 4,7 mil pessoas dispostas a doar para pacientes que precisam de cirurgia, transfusão ou mesmo para abastecer os estoques dos hemocentros.

Ricardo é doador de sangue e diz que há muito percebeu a dificuldade de os hemocentros encontrarem doadores, especialmente em datas festivas, como Carnaval e Natal, e no inverno. “Eu fui em busca de uma saída para aproximar essas duas pontas para aumentar a doação”, salienta. Ao acessar o site, o visitante pode fazer o cadastro e inserir o nome completo, um endereço de e-mail e telefone de contato e o tipo sanguíneo, se souber. “Quando recebemos uma solicitação para doação de sangue, buscamos os dados na plataforma e avisamos os doadores compatíveis por e-mail, SMS, WhatsApp ou pelas redes sociais. O importante é achar rapidamente algum doador na região solicitada”, explica.

Ricardo destaca que o número de pessoas que doam é sempre maior do que a solicitação feita ao Banco de Sangue Virtual. Em quase dois anos, ele conta que foram atendidos 250 pedidos de doação. “Não temos um controle do volume doado. Mas lembro que uma menina internada precisava do sangue de seis pessoas e apareceram 43 doadores. Todo o excedente fica disponível para uso do banco de sangue do hospital”, observa.

De acordo com Ricardo, as informações são armazenadas no banco de dados e podem ser acessadas a qualquer momento. O processo ainda é manual e ele busca patrocinadores para automatizar e dar mais agilidade ao “encontro” entre o pedido de doação e a busca por doadores. Agora, o projeto quer também ser expandido para todo o estado. “Queremos ajudar os pacientes e familiares que sofrem com a espera de doadores. Vamos formar um grande banco de doadores voluntários que identifique os tipos sanguíneos e os respectivos fatores para que os hemocentros possam ter mais uma opção de salvar mais vidas”, diz.

A página fornece também informações sobre o que fazer para ser um doador e como doar respondendo a perguntas como cuidados após a doação, qual a quantidade de sangue coletada e se é necessário estar em jejum para doar. Todo o trabalho é feito de forma voluntária. Para Ricardo, o projeto exige dedicação, mas traz uma grande recompensa. “Isso me faz feliz. O ato de doar é só uma desculpa para tirar as pessoas do individualismo e fazer com que elas pensem no coletivo. Desde o momento do cadastro, a pessoas está pensando nos outros. E são elas que ajudam a transformar o mundo”, afirma.