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Enquanto o mundo se preocupava com a vacinação contra a covid-19, a vacinação infantil despencou. No ano passado, 23 milhões de crianças não receberam as três doses do imunizante contra difteria, tétano e coqueluche — que servem como medida de referência —, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em 15 de julho. Esse é o número de crianças não vacinadas mais alto desde 2009 e um aumento de 3,7 milhões de menores em relação a 2019 (G1, 15/7).A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou sobre o risco de uma "catástrofe absoluta" se o atraso na vacinação de crianças por conta da pandemia não for resolvido e as restrições sanitárias forem suspensas muito rapidamente.Segundo as entidades, a pandemia provocou transferência de recursos e funcionários para a luta contra o coronavírus, e muitos serviços médicos tiveram que fechar ou reduzir seus horários. Além disso, por medo do vírus, as pessoas também evitaram sair de casa para ir a postos de vacinação, mesmo quando as medidas restritivas não proibiam deslocamentos.No Brasil, como informou a Folha de S.Paulo (3/6), a cobertura vacinal já vinha em queda e despencou ainda mais em 2020, "aumentando o risco de novos surtos de doenças preveníveis". Uma análise inédita do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), com base em dados do Ministério da Saúde atualizados até 4 de abril deste ano, mostra que menos da metade dos municípios brasileiros atingiu a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Imunizações (PNI) para nove vacinas, entre elas as que protegem contra hepatites, poliomielite, tuberculose e sarampo. A maior queda foi da vacina contra hepatite B em crianças de até 30 dias, de acordo com o estudo.