Radis Comunicação e Saúde

Tempo de leitura: 2 - 3 minutos

O jornal O Globo (22/08) deu destaque para o estudo que mostrou que o vírus da zika suprime ainda mais o funcionamento do sistema imunológico das grávidas, de um modo parecido com que o HIV, vírus causador da aids, faz para se multiplicar e atingir o bebê. “As mulheres grávidas normalmente já são mais suscetíveis à imunossupressão, e o vírus da zika explora esta vulnerabilidade para infectá-las e se replicar” resumiu o coordenador do estudo, Jae Jung, professor do Departamento de Microbiologia Molecular e Imunologia da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos.

Publicado no periódico científico Nature Microbiology, o estudo mostrou que ambas as linhagens do vírus zika — africana e asiática — atacam preferencialmente um tipo de célula do sistema imunológico conhecido como monócito CD14+. Os vírus asiáticos, responsáveis pela epidemia recente, no entanto, levaram estas células a se multiplicarem e diferenciarem em macrófagos M2, com ação imunossupressora. Estas linhagens do vírus da zika conseguem se multiplicar mais e permanecer por mais tempo no organismo das mulheres doentes, atravessando a barreira da placenta para atacar os fetos.

Em mulheres comprovadamente infectadas pelo vírus da zika durante a gravidez, as análises de amostras de sangue mostraram que elas apresentavam uma atividade anormalmente alta em genes já associados a baixo peso nos recém-nascidos, partos longos e complicados, e problemas no útero que levam ao desenvolvimento de bebês incomumente pequenos, além de aumentar o risco de pré-eclâmpsia, isto é, elevação aguda e perigosa da pressão sanguínea da mãe. Além da microcefalia, várias outras sequelas foram identificadas e relacionadas à infecção por zika durante a gravidez.

Ouvido pela reportagem de O Globo, o Chefe do Laboratório de Virologia Molecular do Instituto de Biologia da UFRJ, Amilcar Tanuri analisou que “qualquer vírus que possa manipular o sistema imunológico é mais preocupante, tanto do ponto de vista epidemiológico quanto no desenvolvimento de vacinas e tratamentos”. Para ele, o estudo serve como alerta de que é preciso acelerar a construção de um arsenal contra ele. “Esta relativa ‘calmaria’ após o fim do pior da epidemia é a hora para a gente desenvolver estas armas, pois o vírus ainda está circulando por aí e pode voltar a qualquer momento”, afirmou.