Radis Comunicação e Saúde
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É com muito pesar que assisto a uma regressão nas instituições de ensino e pesquisa. Muito mais a lamentar por meu filho Eduardo [o pesquisador da Fiocruz Eduardo Volotão, entrevistado na Radis 203], aquele menino que com brilho nos olhos e um largo sorriso que mostrava sua alegria por conseguir chegar ao curso de Microbiologia da UFRJ. No dia da matrícula nos abraçamos e beijamos nos corredores da Universidade, pois ali se consolidava o desejo do meu menino ser pesquisador/ cientista. Muitas batalhas, muitas vitórias, e, lá foi ele navegando por águas nem sempre tranquilas. Alguns concursos e então veio a Fiocruz. A alegria e entusiasmo do menino eram contagiantes. Foi com amor e dedicação que Eduardo se entregou a pesquisa naquela instituição. Passaram-se alguns anos e então comecei a ver desânimo e decepção em seu olhar. Aquele brilho no olhar do meu menino apagou-se. Foi buscar novos projetos, foi buscar a felicidade que um cientista tem em transmitir conhecimento, e, no caso do Eduardo, estar sempre voltado às questões de políticas públicas de saúde. Simplesmente foi... Choro e lamento por mim e pelo Brasil.

Marizete de Mello Marins, Rio de Janeiro, RJ

Marizete, também lamentamos pelos cortes que comprometem o funcionamento das universidades públicas e centros de pesquisa, o que gera risco à soberania, com dependência de importações de produtos industrializados de ponta, perdas na capacidade de inovação, baixo crescimento, além de êxodo de pesquisadores altamente qualificados.