Radis Comunicação e Saúde

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O Brasil registrou queda no número de casos e de mortes por aids em 2017, anunciou o Ministério da Saúde, na solenidade de lançamento da nova edição do Boletim Epidemiológico de HIV/Aids, em Curitiba, no dia mundial de combate à doença (1º/12). Segundo o levantamento, o número de novos casos detectados em 2016 caiu 5,2% em relação a 2015 - queda atribuida aos resultados da ampliação do diagnóstico do HIV, à diminuição do tempo para iniciar o tratamento (hoje, estimado em 41 dias) e ao aumento no número de pessoas recebendo a terapia antirretroviral. Radis pesquisou notícias, números, análises e reivindicações divulgadas em dezembro e resumiu avanços, disputas, retrocessos e desafios propostos para pessoas, grupos e instituições que convivem e/ou trabalha com o HIV/aids.

830 mil
brasileiros vivem, hoje, com HIV. 

38 mil
novos casos foram registrados no Brasil em 2016 - uma queda de 5,2% em relação a 2015.

84%
das pessoas com HIV no Brasil já receberam diagnóstico: destas, 72% recebem tratamento antirretroviral.

7,2%
de MORTES a menos no país.

91%
das pessoas em tratamento no país apresentam carga viral indetectável.

   
   

Crescem os casos entre homens e entre os jovens

A taxa de detecção entre homens de 15 a 19 anos quase triplicou (2,4 casos por 100 mil habitantes em 2006 para 6,7 casos, em 2016). Entre os com 20 a 24 anos, o número dobrou (16 casos para 33,9). Entre as mulhreses, também houve aumento entre 15 a 19 anos (3,6 casos para 4,1).

   
   

Diminuem os casos de transmissão vertical e entre crianças

Curitiba é o primeiro município brasileiro a ficar livre da transmissão de mãe para filho. 2016 também registrou queda de 34% na taxa de detecção em menores de cinco anos - passando de 3,6 casos por 100 mil habitantes, em 2006, para 2,4 por 100 mil habitantes, em 2016.

   
   

Crescem os casos entre gestantes e HSH

O número de gestantes infectadas aumentou (de 2,3 por 100 mil habitantes, em 2006, para 2,6 em 2016) e também entre homens que fazem sexo com homens (33% em relação a 2006,quando a proporção maior de casos era de transmissão heterossexual.)

   
  Fontes: Ministério da Saúde/Conselho Nacional de Saúde/Uniaids/Unesco/Fiocruz/Abia.

Mulheres em risco

870 mil mulheres são infectadas pelo HIV todos os anos no mundo, e só metade tem acesso ao tratamento capaz de salvar vidas, informou o Programa Conjunto das Naões Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids) - números que colocam a aids como a maior causa de mortes entre mulheres em idade reprodutiva (de 15 a 49 anos) globalmente. "Quando jovens mulheres são empoderadas no exercício de seus direitos, a prevalência do HIV cai, há menos registros de gravidez indesejada, menos casos de mortes maternas e menos evasão escolar, além de maior adesão do mercado de trabalho", defende o relatório "Direito à Saúde", divulgado pela agência dia 20 de novembro de 2017. Acesse o relatório na íntegra em http://goo.gl/hZKovT

Chamado aos homens

Os homens são menos propensos a conhecerem seu estado sorológico e têm menos probabilidade de acessar e aderir ao tratamento contra o HIV, afirma o documento "Ponto cego", lançado pela Unaids, em 2017. Como consequências, mais homens podem morrer de doenças relacionadas à aids do que as mulheres. Apesar de elas ainda serem as mais afetadas pelo HIV, são eles "que continuam a suportar o peso da epidemia", registra o documento. O estudo reconhece progressos nas ações de prevenção de infecções por HIV entre mulheres, mas identifica que homens e meninos são influenciados por muitas normas de gênero que afetam sua saúde e os desencorajam a acessar serviçoes de saúde, como machismo, homofobia e transfobia. Além disso, hábitos alimentares pouco saudáveis, uso de álcool, tabaco e drogas agravam ainda mais a situação. Acesse o relatório em https://goo.gl/xc9Lw1