Fotografia: Eduardo de Oliveira.

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Karina Zuge
Representante dos usuários, Rio Grande do Sul

Na atual conjuntura política do Brasil, achei a conferência nota 10. Sinceramente acreditei que o evento nem fosse acontecer ou que acabaria boicotado. Que bom que aconteceu. Muitas delegações enfrentaram dificuldades financeiras para vir até Brasília e ainda assim vieram. Trabalhadores e usuários estiveram muito unidos; os gestores percebi mais reticentes, recuados. Em um momento em que o Brasil está tão dividido, precisamos estar juntos para defender um único SUS, que respeite as especificidades do país mas valha para todos. Temos que continuar divulgando os mecanismos de participação da sociedade civil para fortalecer o controle social e não dar nenhuma brecha para que acabe. Sinto que a conferência deveria ter tido mais cuidado com as pessoas com deficiência, que represento aqui. Houve problemas graves mas resolvíveis de acessibilidade. Especialmente na questão atitudinal — um delegado que não quis esperar o intérprete de Libras chegar para começar uma mesa, por exemplo.

Viviani Fontana. Fotografia: Eduardo de Oliveira.

Viviani Fontana
Representante dos trabalhadores, São Paulo

Nós estamos em um momento muito diferente, democraticamente falando. As pessoas estão querendo colocar sua opinião para fora, discutir com os pares, mas aqui senti que ainda estão muito tolhidas para vocalizar o que é a nossa dor nos territórios. Para mim, é um fato dessa conferência um certo temor dos delegados ao se expressarem e colocarem suas verdades. Estamos divididos partidariamente, o que na minha visão não é bom, mas é preciso destacar que o nosso propósito é o mesmo. Viemos todos lutar por — e conseguir — melhorias para nosso sistema de saúde em benefício da população. Logo, temos que nos unir.

Lucia Gloria Magalhães
Representante dos usuários, Roraima

Houve uma participação muito integrada dos delegados, especialmente dos usuários com os trabalhadores — de maneira geral, não vi muita articulação com os gestores. Todos se empenharam para fazer serem aprovadas as propostas de seus estados. As do nosso passaram todas. Senti falta de uma discussão macro sobre a questão da migração, que tem afetado tanto Roraima. Conseguimos aprovar uma proposta aqui para aumentar o investimento em saúde nos estados fronteiriços, porque o SUS fica precário se não há mais recurso para atender mais gente. Na próxima conferência, gostaria de ver ainda mais diversidade entre os delegados — pessoas com câncer, por exemplo, que dependem unicamente do SUS. Para isso, é preciso divulgar mais os espaços de controle social. A política de saúde é muito ampla e poucos segmentos estão discutindo seu futuro.

Fernanda Coelho. Fotogrtafia: Mario Moro.

Fernanda Coelho
Representante dos usuários, Minas Gerais

A 16ª se posicionou pelo direito à diversidade e pelo direito à vida das mulheres. Estou muito satisfeita. Fiquei feliz que todas as propostas sobre a saúde integral da população LGBT e a legalização do aborto foram contempladas sem passar na plenária final. Outra surpresa positiva foi ver o repúdio à moção sobre o Estatuto do Nascituro. O controle sobre o corpo das mulheres é uma pauta utilizada pelos conservadores reacionários. Estamos vendo o avanço de todas essas pautas morais. É controle sobre nossos corpos e nossa vida. Quanto mais controle eles têm, mais conseguem nos manipular. Embora ainda não sejam aprovadas com unanimidade, essas pautas, antes muito polêmicas, dividiam os delegados. Agora elas foram melhor acolhidas. Diante desse momento tão duro em que vivemos o recrudescimento do ódio, é muito importante para a gente se reenergizar e seguir na luta.