Jairo Méndez, da Opas, acompanha o treinamento de profissionais de nove países da América do Sul para o diagnóstico do covid no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Fotografia: Josué Damacena/IOC/Fiocruz.

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Equipe do Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do IOC/Fiocruz capacitou profissionais para o diagnóstico laboratorial do novo coronavírus

O Brasil repatriou 34 pessoas que estavam em Wuhan, na China, quando explodiram os casos do novo coronavírus. Eles e a equipe que atuou na chamada Operação Regresso estavam desde 9 de fevereiro em quarentena em Anápolis, Goiás. Todos os primeiros 58 exames para identificação do novo coronavírus, a partir de saliva e secreção nasal, deram negativo.

Os procedimentos para o diagnóstico laboratorial no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) de Goiás foram implementados e supervisionados pela equipe do Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), referência nacional para vírus respiratórios junto ao Ministério da Saúde.

“Assim que os primeiros casos foram notificados na China, nossa equipe se mobilizou para se preparar para a possibilidade de identificar o novo vírus no país, inclusive durante a noite e os fins de semana”, conta o virologista Fernando do Couto Motta, chefe substituto do laboratório, que integra há mais de 60 anos a rede da OMS de centros nacionais de Influenza e desempenhou papel estratégico em outras emergências de saúde pública, como nos surtos de Sars, em 2002 e 2003, de influenza A (H1N1), em 2009, e de ebola, em 2015.

“Nos primeiros três casos suspeitos, adaptamos um protocolo para descartar casos por diagnóstico diferencial, mais artesanal. A partir de 29 de janeiro, quando a Opas repassou insumos específicos para diagnóstico por RT-PCR em tempo real do novo coronavírus, capaz de detectar o genoma viral, conseguimos dar mais celeridade ao processo”.

Coube ao laboratório capacitar profissionais do Instituto Evandro Chagas e do Instituto Adolfo Lutz,  serviços de referência regionais no Pará e em São Paulo, respectivamente, para o diagnóstico laboratorial do patógeno. “O fato de já existir uma rede dentro do SUS que trabalha com vírus respiratórios possibilitou a disseminação do conhecimento com rapidez seguindo metodologia única”, ressalta Fernando.

A Rede Nacional de Alerta e Resposta às Emergências em Saúde Pública conta com 54 Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) em todo o Brasil, com representações em 26 estados, um no Distrito Federal, em todas as 26 capitais, e no município de Foz do Iguaçu (PR), integrados por tecnologia de informação e comunicação que permite a resposta coordenada.

Também houve coordenação com profissionais de outros países da região: especialistas de Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai estiveram no Laboratório de Vírus Respiratório e do Sarampo do IOC, em 6 e 7 de fevereiro, para se capacitarem quanto a vigilância laboratorial, protocolo para o diagnóstico do novo coronavírus, recomendações sobre biossegurança e transporte de amostras.

“O que estamos fazendo aqui é um exemplo de como se responde à uma emergência: juntos”, disse Jairo Méndez, assessor regional para Doenças Virais da Opas. Jarbas Barbosa, também da Opas, explica que, nessas situações, a coordenação da resposta deve ser regionalizada. “Nosso papel é ter diálogo técnico com os ministérios da Saúde, abarcando desde o treinamento de laboratórios quanto da comunicação adequada para a população evitar pânico, incompreensões, preconceito e xenofobia”.