Radis Comunicação e Saúde

Tempo de leitura: 10 - 19 minutos

Como as periferias vêm lidando com a pandemia de covid-19, em meio aos problemas cotidianos e diante da ausência de ações governamentais

Ela escreveu um post-desabafo indagando sobre como fazer isolamento em comunidades com becos apertados e sem ventilação. Ele gravou um vídeo para denunciar a falta de água. Elas montaram cesta básica para distribuir com quem precisa escolher entre o pão e o álcool em gel. Eles organizaram uma estrutura para melhor informar a população e pressionar autoridades. Carta, funk, carro de som, um gabinete de crise, uma campanha pela vida de suas mães. Radis acompanhou a mobilização nas redes e reúne histórias de gente que pôs a máscara e foi à luta para enfrentar uma pandemia que “escancara as desigualdades” — como disse uma outra entrevistada. Nas próximas páginas, você encontra relatos vindos das favelas, dos morros, das quebradas, das periferias de um país onde os programas de renda básica parecem longe de se transformar em política pública. Tudo junto ainda que separados. Qual o coletivo de isolamento?

LIGA DAS PERIFERIAS

“Existe um plano para que os moradores das comunidades também possam enfrentar o coronavírus ou a escolha é seletiva?”, indagava Kely Louzada, moradora do Morro da Mangueira, em seu perfil no Facebook (19/3). “Não esqueçam que, se esse vírus chegar às favelas e comunidades de nossa cidade, a contaminação será em massa, sem fazer distinção entre ricos e pobres”. A postagem listava uma série de perguntas sem respostas. Teve quase 3 mil visualizações, 587 comentários, mais de 2 mil compartilhamentos. O texto de Kely sintetizava o grito de uma população inteira diante de um barril de pólvoras prestes a estourar.

Pouco mais de 10 dias depois, a prefeitura do Rio confirmou o primeiro caso de covid-19 na favela onde Kely nasceu, mora até hoje e mantém a ONG Meninas Mulheres do Morro, com uma biblioteca de mais de 15 mil livros, que atende cerca de 200 crianças e adolescentes. “Tudo o que acontece no mundo, a gente discute aqui. O corona é uma preocupação mundial e eu comecei a questionar as autoridades sobre o que seria feito conosco se essa doença chegasse até nós”, diz à Radis. “Vamos morrer?”. Era isso o que, em outras palavras, Kely indagava naquele post.

Fazia menos de um mês da postagem, quando Radis conversou com Kely. O prefeito Marcelo Crivella, em entrevista à TV CNN, havia prometido olhar mais para as comunidades, e o presidente Jair Bolsonaro, depois de muita demora, acabara de sancionar com vetos o auxílio emergencial de 600 reais a trabalhadores informais — gestos que ela ainda considera insuficientes. Quanto à ativista, àquela altura, já tinha se somado a outras milhares de pessoas que vêm arregaçando as mangas contra o coronavírus. Com as crianças de sua ONG, produziu cartazes que foram espalhados na comunidade com dicas de prevenção; arrecadou cestas básicas que vêm sendo distribuídas — inclusive fora do morro, com a população de rua e travestis em diversos pontos da cidade; e naquele dia mesmo estava tentando ler tudo sobre o decreto que regulamenta a renda básica: na rua, as pessoas já lhe abordavam com dúvidas e ela planejava oferecer o computador da ONG para ajudar no preenchimento do cadastro. “Criamos uma espécie de liga de comunidades preocupadas com as vidas nas favelas. Não é mais apenas uma voz, mas muitas vozes cobrando respostas”.


Fotografia: Acervo Pessoal


SEM ROLÉ

O “Rolé dos Favelados” está suspenso por ora, anuncia, não sem tristeza, Cosme Felippsen, guia de turismo e morador do Morro da Providência. Idealizador do projeto que já levou cerca de 7 mil pessoas à mais antiga favela do Rio de Janeiro, ele teve que interromper o programa, logo que começaram as notícias sobre a chegada do novo coronavírus ao Brasil. Era preciso não sair às ruas, orientavam as autoridades sanitárias. #FiqueEmCasa, vibravam as hashtags nas redes sociais. O “Rolé” — um tour pela comunidade conduzido pelos próprios moradores, verdadeira aula a céu aberto sobre segurança pública, saneamento básico e cultura nas favelas — só poderá retornar quando passar o mau tempo. “Ferrou geral. Tenho um casal de filhos, não tenho dinheiro guardado”, imaginou. Na poupança, 0,24 centavos.

A aflição de Cosme, trabalhador autônomo nascido e criado na Providência, não é muito diferente do sentimento da grande maioria de brasileiros nas periferias do Brasil hoje. De acordo com uma pesquisa realizada pelo DataFavela/Instituto Locomotiva, a pandemia já alterou a vida de 97% das 13,6 milhões de pessoas que moram em favelas. Com 1.142 entrevistas realizadas em 262 comunidades entre os dias 20 e 22 março, o levantamento revelou que apenas 19% dos entrevistados possuem contrato formal de trabalho — a grande maioria (47%) trabalha por conta própria ou é formada por profissionais liberais, sem contar os 10% que estão desempregados e os 8% que trabalham sem carteira assinada. “No desespero, comecei a pedir ajuda as pessoas”, diz Cosme — um amigo de Portugal lhe enviou 100 reais, outros tantos lhe emprestaram algum.


Cosme Felippsen: ação solidária no Morro da Providência.

Fotografia: Acervo Pessoal


Mas ele também compreendeu que havia maneiras de ajudar. No dia 20 de março, Cosme, que também é comunicador popular, usou suas redes sociais para postar um vídeo em que cobrava das autoridades a solução para a falta de abastecimento de água que já atingia uma parte do Morro da Providência, desde antes da pandemia. “Como ficar nessa situação de contágio sem lavar as mãos ou limpar a casa?”, questionava, na gravação que viralizou e mereceu uma resposta do poder público. Ao lado de outros parceiros, começou uma vaquinha online que, somente numa primeira etapa, garantiu cesta básica para 250 famílias da Providência. Quando Radis entrevistou Cosme por telefone, no começo de abril, seu grupo já contabilizava outras 400 cestas. Naquela ocasião, ele estava à procura de uma agência bancária para depositar alguma ajuda para o irmão, que mora com a esposa e cinco crianças, em Cabuçu, na Baixada Fluminense. Ainda segundo a pesquisa do Data Favela, 86% dos moradores de favelas vão passar fome durante a pandemia, caso não haja ações específicas voltadas para essa população.

Enquanto isso e apesar das dificuldades, diz Cosme, valem todos os esforços para tentar cumprir o isolamento social proposto como uma das ações para evitar a expansão do coronavírus. “Não dá pra esquecer que, na favela, há famílias que precisam dividir uma casa de dois quartos com 10 pessoas”, comenta. Nessas circunstâncias, como seguir as dicas básicas recomendadas pelas organizações de saúde e autoridades sanitárias?, indaga Gizele Martins, jornalista e moradora da Maré, na Zona Oeste do Rio. Ou como garantir medidas de higiene, como lavar as mãos a cada duas horas, se muitas favelas não têm água? E se falta dinheiro para alimentação, como comprar álcool em gel ou álcool 70%, quando se sabe que, em tempos de pandemia, uma embalagem do produto chega a ser vendido por 15 reais?

“Aqui na Maré, nos primeiros dias, vivenciamos o pânico de não saber lidar com a situação, inúmeras dúvidas surgiram sobre os sintomas e como cuidar de si, da família, da casa”, conta Gizele. “Ou como evitar aglomeração, se já vivemos em casas com grandes aglomerações, muitas delas sem qualquer tipo de ventilação?”. Não que essas dúvidas tenham sido sanadas. Para Gizele, um momento de pandemia como este evidencia o empobrecimento da favela e a total falta de direitos da periferia. “É necessário que toda a sociedade questione isso e se junte às populações vulneráveis na cobrança pelos direitos básicos, como por exemplo o direito à água, à saúde, à casa, à alimentação, ao trabalho, à vida”, diz.


Gizele Martins, da Maré: outras formas de comunicação.

Fotografia: Acervo Pessoal


Em uma manhã do início de abril, um carro de som trafegava pelas ruas da Maré. “Se liga, morador. O coronavírus já chegou nas favelas”. Entre os alertas que saíam das caixas da Fiorino vermelho, era possível ouvir dicas clássicas (“Lembre-se de lavar as mãos com água e sabão, manter a casa aberta e limpar superfícies com desinfetante”). Mas também orientações mais solidárias (“Se o seu vizinho está sem água, compartilhe”). A linguagem direta e sem rodeios também vem sendo usada pela Frente de Mobilização da Maré em faixas, cartazes, imagens e artes de rua espalhados pelas redondezas. O “Manual de como não vacilar em tempos de coronavírus”, colado em pontos estratégicos, tem feito a diferença.

“Estamos colocando em prática um plano de comunicação para atingir o maior número de pessoas. Não é todo mundo que sabe ler ou tem acesso à internet, por isso, pensamos em outras ferramentas”, acrescenta a comunicadora, que nesse período viu sua rotina mudar por completo. Acostumada a transitar por toda a cidade, entre o emprego no centro e as muitas oficinas sobre direitos humanos que ministra em favelas e universidades, está sem sair de casa. Por ser de grupo de risco — Gizele tem asma —, vem tentando obedecer rigorosamente as recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS), o que não impede o trabalho de mobilização comunitária. Quando conversou com Radis, Gizele preparava o lançamento de uma campanha de doação para cuidar dos mais vulneráveis, entre os 140 mil moradores distribuídos pelas 16 comunidades do conjunto de favelas da Maré.

GABINETE, FUNK E CARTA

“A desigualdade empurrada para baixo do tapete da história agora se mostra de forma gritante. Corremos contra o tempo para garantir a sobrevivência humana nesse cenário catastrófico”. A observação é de Raull Santiago, ativista e comunicador social, morador do Alemão, complexo de favelas localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. Na opinião de Raull, a pandemia exacerba ainda mais o abandono e o descaso sempre destinados à periferia. “São tempos difíceis e, para nós, o básico já beira o impossível”, ele diz sobre a dificuldade de a favela inserir na sua rotina até mesmo as dicas mais elementares das organizações de saúde. “Olhar para a favela e ajudar a periferia é urgente. E a melhor forma de conseguir manter a mínima dignidade dessas pessoas, salvando vidas, é com ajuda direta, doações de tudo que for necessário para higienização, alimentação e informações sobre a gravidade do que está acontecendo no mundo”.


Raull Santiago, do Papo Reto: gabinete de crise no Complexo do Alemão.

Fotografia: Acervo Pessoal


No Complexo do Alemão, sem esperar por ações governamentais, a população se organizou em torno da ideia de um Gabinete de Crise, encabeçado pelos coletivos A Voz das Comunidades, Mulheres em Ação e Papo Reto, do qual Raull é co-fundador. A exemplo do que acontece na Maré e em muitas outras periferias Brasil adentro, colocam faixas com dicas estratégicas nas entradas da favela, colam cartazes nos pontos de mototaxistas, mercados, farmácias e também circulam mensagens de alerta via carro de som. Como recurso extra, usam a batida do funk: “Tá ligado no coronavírus? Deixa eu te passar a visão / Essa doença triste que afetou nosso mundão/ Vamos ter consciência e fazer toda a prevenção para nossa comunidade / Lave as mãos frequentemente, com água e sabão / Evite sair de casa para não ter aglomeração”.

“Tentamos fazer um trabalho de conscientização e ajuda direta, enquanto pressionamos a sociedade a colaborar nesse front com doações”, diz Raull. Mas ele também defende que ficar em casa não pode ser sinônimo de falta de renda. O Gabinete de Crise monitora e pressiona governantes por ações emergenciais diretas, como aprovação de projetos de renda básica. “Entendemos que dar suporte à nossa realidade é dever das políticas públicas”. Raull, Gizelle e pelo menos outros 65 comunicadores reuniram-se em uma coalizão nacional de enfrentamento ao coronavírus por meio da frente Corona nas Periferias. Ainda em março (19/3), escreveram uma carta pública onde questionam as providências estabelecidas pelos poderes públicos que, mais uma vez, deixam “favelas, periferias, guetos, quilombos, sertões e toda população à margem” e “à mercê da sua própria sorte”, pontua o documento.

Sob a hashtag #CoronaNasPeriferias, coletivos de todo o país se articularam para, de um lado, reunir esforços para informar seus territórios sobre ações relacionadas à covid-19 e, de outro  cobrar respostas. “A periferia é a empregada doméstica, o porteiro, o motorista de app, o entregador, o trabalhador informal que precisa estar no busão e no metrô vendendo seus produtos para levar renda pra dentro de casa ou o comerciante local que não pode suspender suas atividades”, antecipam-se, na carta. “O quanto nossos patrões estão dispostos a seguir os passos que a humanidade pede e permitir que cada um destes profissionais pratique o isolamento e mesmo assim pagar seus salários?” [Leia a íntegra aqui: https://favelaempauta.com/coalizao-coronanasperiferias/].

“PELA VIDA DE NOSSAS MÃES”

LEIA MAIS

Entrevista com Yane Mendes

Do Recife, a comunicadora Yane Mendes, uma das criadoras da Rede Tumulto, também assina a coalizão. Moradora da favela do Totó, ela acredita que o abismo social pode até estar ficando mais evidente com a pandemia do coronavírus, mas, para Yane, muitas das questões levantadas agora já são uma realidade há bastante tempo nas periferias. “Para quem já vivencia tanto a violência, é muito difícil acreditar que existe agora mais uma maneira de morrer”, lamenta. “Se essa doença tivesse marcado a periferia antes de chegar na classe média, não teria nem 10 minutos de espaço numa televisão aberta” .


Fotografia: Acervo Pessoal


Quando os jornais noticiaram a morte de uma empregada doméstica por coronavírus no Rio (19/3) — depois que a patroa testou positivo para a doença —, Yane, cuja mãe é diarista juntou-se aos filhos e filhas de empregadas domésticas no coletivo “Pela vida de nossas mães”. Por meio de uma carta-manifesto, o grupo passou a reivindicar o direito à quarentena remunerada. “Há anos nossas mães, avós, tias, primas dedicam suas vidas a outras famílias, somos todas (os) afetadas (os) por essa ‘relação trabalhista’ de retrocesso e modos escravistas”, diz a carta, pontuando dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que confirmam que 6,3 milhões de trabalhadores prestam serviços domésticos hoje no Brasil — o que pode incluir jardineiros, caseiros, empregadas domésticas e diaristas [Leia aqui: https://bit.ly/2V6w4WU].

A carta traz o depoimento de Yane: “Mainha é diarista. Todo dia, uma casa diferente. Nesta segunda feira, quando explodiu o lance do coronavírus, meu irmão me manda um zap dizendo que a nossa mãe não queria entrar em casa, pois a patroa teria dito a ela que estava com febre e que era para minha mãe ficar atenta. Esse episódio fez mainha tomar um banho de álcool em gel, não por desinformação. Era por desespero de alguém que ela ama dentro de casa pegar o coronavírus”. Em sua página no Facebook, o coletivo vem reunindo relatos como esse. Lá também é possível encontrar outras ações do grupo, como a convocação para preenchimento de um formulário, cujo objetivo é mapear trabalhadoras domésticas e diaristas que estão em situação de vulnerabilidade e conectá-las com possíveis colaboradores.

Ainda segundo a pesquisa do Data Favela, sete em cada 10 famílias já viram sua renda familiar cair nas últimas semanas e 72% das mães da periferia disseram que, com a pandemia de covid-19, vai faltar comida em casa. Além de distribuir cestas básicas e kits de limpeza, em abril (3/4), a Central Única das Favelas (Cufa) lançou o programa “Mães da Favela”, uma campanha que já conta com adesão nos 26 estados e Distrito Federal e vem transferindo renda para mães em situação de vulnerabilidade, que moram com idosos ou que tenham filhos deficientes. Até meados de abril, a campanha já havia arrecadado cerca de 4,5 milhões [Veja aqui: https://www.maesdafavela.com.br/]. Batizado de “Vale Mãe”, o auxílio no valor de 120 reais será repassado às beneficiadas durante dois meses.

CESTA BÁSICA, SABÃO E EPI

Da Baixada Fluminense, região que engloba 13 municípios no estado do Rio e concentra problemas históricos de violação de direitos, violência, desemprego e precarização do trabalho, chega mais uma iniciativa. Por meio da articulação #CoronaNaBaixada, cerca de 100 coletivos, organizações e lideranças sociais elaboraram um manifesto endereçado às prefeituras e Governo do Estado cobrando medidas de prevenção. O grupo redigiu sete propostas que vão desde renda básica emergencial para trabalhadores formais e informais que tiveram seus contratos suspensos até a higienização periódica das ruas da periferia [Leia aqui: https://bit.ly/2yp8dIZ].

Moradora de Nova Iguaçu, na Baixada, Aparecida Maria divide a sua preocupação com Radis. “Tenho acompanhado as notícias e tô com medo de que isso seja só o começo”, diz ela. “Aqui na minha comunidade, no bairro de Ouro Preto, a maioria das pessoas não tem carteira assinada”. São ambulantes, pintores de parede, faxineiras, diaristas. “Pessoas que realmente trabalham de dia para comer à noite”, conta. “Quando começar a ferver o caldeirão, vai ser o caos total. As pessoas vão precisar sair para conseguir alimentação. E você sabe o que a fome faz, né?”

Ao lado de oito amigas, há cerca de uma década, Aparecida mantém funcionando o coletivo “As Comadres”, que no início prestava assistência às meninas da comunidade e agora faz de tudo um pouco. Na crise do corona, têm feito campanhas de solidariedade de forma mais caseira, com o apoio do Fórum Popular de Promoção da Saúde, para distribuir cestas básicas com quem mais precisa. Depois de arrecadadas as doações, ela mesma compra os mantimentos e embala um a um com toda a higienização necessária para depois distribuir no portão de casa, sem contato direto. Tem funcionado. Em suas cestas, o sabão feito com soda cáustica e óleo de cozinha produzido pelas próprias moradoras da comunidade é item indispensável. “Aqui, sempre funcionou assim. Quando uma está apertada em alguma coisa, pede socorro e aí vai ligando para a outra até conseguir ajuda, resolver aquela demanda, suprir o que falta. Agora não poderia ser diferente”.

Desde 2019, Aparecida integra também o Fórum Popular de Promoção da Saúde, que reúne representantes da sociedade civil organizada de comunidades urbanas, comunidades tradicionais e associações de pacientes. “Nossa preocupação maior agora é com profissionais de saúde”, diz, enquanto se empenha para fazer com que Equipamentos de Proteção Individual (EPI) confeccionados por pesquisadores e distribuídos gratuitamente cheguem à sua região. “Nossos profissionais de saúde estão trabalhando de maneira incansável, mas não têm como se proteger”, conclui.


Fotografia: Acervo Pessoal


TROCA DE SABERES DURANTE A PANDEMIA

Em março (26/3), a Fiocruz organizou uma coletiva de imprensa exclusiva para comunicadores populares. Realizada no contexto de uma pandemia, não houve participação presencial, mas durante uma hora e vinte minutos, os coletivos enviaram perguntas e comentários pelo chat e travaram um rico diálogo com o coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio, e o infectologista do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), André Siqueira. Mediada pela coordenadora geral do canal Saúde, Márcia Correia e Castro, a coletiva contou ainda com a participação de Nísia Trindade, presidente da instituição.

A ideia era tirar dúvidas sobre a doença, mas também aprender com os comunicadores sobre as estratégias de enfrentamento à covid-19. “Não se trata de falar para os comunicadores populares, mas de construir em conjunto formas de proteção”, apontou Nísia. Quinze dias depois da coletiva, a Fiocruz lançou uma chamada pública para Apoio a Ações Emergenciais junto a Populações Vulneráveis, que vai financiar projetos em todo o território nacional que contribuam para prevenir o contágio ou garantir condições mínimas de sobrevivência a famílias impactadas economicamente pelas medidas de isolamento social.

Para seguir exercitando a troca de saberes, a campanha “Se Liga no Corona!”, construída pela Fiocruz em conjunto com a Redes da Maré e as organizações de Manguinhos, vai difundir informações confiáveis adaptadas ao contexto das periferias, usando formatos variados a exemplo de radionovelas, spots para carros de som, peças e vídeos para mídias sociais e cartazes. Além disso, a equipe do Dicionário de Favelas Marielle Franco reuniu, em uma página da plataforma wiki, um compilado de informações sobre o coronavírus nas favelas. Nesse endereço [veja aqui: https://bit.ly/3cAyJxE], você pode conferir outras notícias, relatos e materiais diversos produzidos pelos coletivos e descobrir formas de participar das doações e colaborar com as iniciativas de enfrentamento da pandemia — algumas delas citadas nesta reportagem.


Fotografia: Acervo Pessoal