Radis Comunicação e Saúde

Fotografia: Adriano De Lavor.

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Técnica de enfermagem é premiada pelo trabalho de acolhimento a pessoas com HIV

Há 21 anos Maria Izabel Lobo trabalha no Departamento de Doenças Infecto Parasitárias (DIP) do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), localizado na zona central do Recife. Servidora pública e técnica de enfermagem por formação, na prática ela atua no ambulatório como acolhedora, recebendo e orientando adultos que recebem diagnóstico de doenças sexualmente transmissíveis, incluindo HIV. “A gente recebe os pacientes, ajuda se precisar de algum exame, explica nos mínimos detalhes o que vai acontecer com ele, como a gente vai tratar, orienta sobre medicações”, descreve Izabel, depois de localizada pela Radis entre uma palestra e outra da IAS 2019.

Ela esteve no México a convite da conferência, após ter sido indicada por um usuário do serviço e ser premiada pela organização como profissional de destaque no atendimento a pessoas que vivem com HIV/aids. “Meu trabalho é de insistente social”, define, com o mesmo bom humor que considera aliado na hora de desempenhar suas funções. “É muito importante receber bem os pacientes. Eles chegam tristes, com medo de morrer. Meu trabalho é fazer com que aceitem o diagnóstico, que a família entenda que não há risco de contaminação”, destaca Izabel, lembrando que mesmo depois de décadas o preconceito contra pessoas com HIV ainda existe.

Ao lado dela, o cozinheiro Carlos Alberto Pereira Tenório, responsável pela indicação ao prêmio, confirma a efetividade do alto astral de Izabel. Os dois convivem há nove anos no serviço, desde que ele recebeu o diagnóstico para HIV no Huoc, onde faz acompanhamento até hoje. Ele soube da inscrição para o prêmio por meio da ONG Gestos, também do Recife, quando não teve dúvidas sobre quem indicar. “Antes de eu saber que também viria junto, eu disse em uma entrevista que tinha votado nela porque é uma ótima acolhedora, que sempre atende a gente muito bem, tira todas as nossas dúvidas com sorriso no rosto”, revelou, mãos dadas com a acolhedora.

Juntos, eles receberam como prêmio, além da viagem à Cidade do México, com hospedagem e alimentação, um convite para participar da conferência — com direito a tradutor particular, para assegurar que aproveitem a oportunidade. “Está sendo muito bom participar da conferência. Fiquei impressionada com o estudo que unifica medicações. Espero que chegue logo para nossos pacientes no Brasil”, espera. (A.D.L.)