Fotografia: Eduardo de Oliveira.

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Pesquisa revela que 72% dos brasileiros sofrem de doenças relacionadas ao sono

Março de 2019 | por Ana Cláudia Peres

Pesquisa divulgada em 2018 no Dia Mundial do Sono, 16 de março, revelou que 72% dos brasileiros sofre de doenças relacionadas ao sono, como insônia, ronco, apneia, síndrome das pernas inquietas e narcolepsia. O SUS oferece tratamento para distúrbios do sono em cerca de 80 estabelecimentos pelo país que possuem serviços especializados em neurologia. No entanto, nem todos os serviços de neurologia atendem pacientes com narcolepsia — que tem incidência rara e atinge em torno de 0,02% da população mundial. Como acrescenta a médica Christianne Martins, mesmo nos estabelecimentos que possuem serviço de neurologia, nem sempre existe um neurologista com especialização em medicina do sono, especialidade de quem trata esses pacientes.

A médica, que desde 2013 desenvolve um trabalho voltado para todos os distúrbios do sono incluindo insônia, sonambulismo e narcolepsia, no ambulatório no Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), no Rio de Janeiro, considera fundamental que o SUS amplie a oferta de serviços especializados para atender a demanda reprimida na área. Ana Cristina Braga, a personagem de nossa reportagem, disse que um dos primeiros desafios da Associação Brasileira de Narcolepsia e Hipersonia Idiopática será justamente lutar pela inserção do tratamento da doença na saúde primária. “Afinal, o posto de saúde acaba sendo o primeiro local que procuramos quando aparecem os sintomas”.

No HUPE, Christianne afirma que vem conseguido ampliar a equipe e a oferta dos exames. Além da neurologia, que trata da narcolepsia, a equipe também conta com especialistas em medicina do sono como otorrinos e pneumologistas com um trabalho mais voltado para o tratamento da apneia, por exemplo. “Mas ainda precisamos de mais investimentos em infraestrutura e capacitação de profissionais para poder atender todos os pacientes que estão sofrendo sem diagnóstico e tratamento”. Segundo ela, as queixas mais comuns relacionadas à narcolepsia que chegam ao ambulatório estão diretamente ligadas às consequências do excesso de sono na vida cotidiana. “Os pacientes não conseguem realizar tarefas simples por causa do sono, o que pode levar muitas vezes a desemprego, isolamento social, baixa autoestima e frustração”, diz. “Com o tempo, isso pode levar também ao surgimento de depressão grave e até tentativa de suicídio”.  (A.C.P.)


Atualização em 11/03/2019 às 12:25: A matéria foi atualizada para excluir a neurocirurgia como um dos serviços voltados para o tratamento dos distúrbios do sono, como constava no primeiro parágrafo da versão original. Também foram incluídas mais informações sobre o trabalho desenvolvido no ambulatório do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE).