Cartazes de manifestantes reivindicam autonomia dos corpos das mulheres. Fotografia: Fernando Frazão / EBC

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Agosto de 2018 | por Elisa Batalha

A antropóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB) Debora Diniz sofreu recentemente ameaças em decorrência de seu trabalho acadêmico sobre a descriminalização do aborto, em páginas e perfis em redes sociais. A docente relata também ter recebido, por ligações e mensagens, intimidações explícitas e ofensas graves. “Monstro” e “assassina” são alguns dos adjetivos direcionados publicamente, em redes sociais, à antropóloga, que foi escolhida em 2016 um dos 100 pensadores globais pela revista norte-americana Foreign Policy, por pesquisas sobre grávidas infectadas pelo zika vírus. Ela registrou queixa na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Brasília, que apura o caso, conforme publicou o jornal Correio Braziliense (4/7).

O nome de Debora está sob análise para inclusão no Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos do governo federal, e as primeiras medidas protetivas já teriam sido deferidas. Ela preferiu deixar Brasília, onde vive, por um tempo, de acordo com matéria publicada no jornal O Globo (23/7).

As ameaças se intensificaram após a divulgação de que Debora participará das audiências públicas relacionadas à descriminalização do aborto no STF. As ameaças sofridas pela professora foram repudiadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), que ressaltou a posição de Debora no mundo acadêmico: “internacionalmente reconhecida por seu trabalho e ativismo em questões relacionadas à saúde e direitos sexuais e reprodutivos das mulheres”.

Em nota, o Gabinete da Reitoria da UnB declarou que a Universidade de Brasília está “acompanhando a situação”, em contato com a professora. “A UnB tem, entre seus princípios, a liberdade de cátedra e o compromisso com a paz e repudia quaisquer manifestações de ódio e intolerância”, diz o texto. Outras instituições também manifestaram apoio a Debora e cobraram a punição dos responsáveis pelas ameaças, como a Ensp/Fiocruz e a ONU. “Manifestamos nossa irrestrita solidariedade à professora Debora Diniz e cobramos das autoridades policiais e judiciais a identificação e punição dos covardes agressores que se escondem com o vergonhoso véu do anonimato”, aponta o texto do Programa de Pós-Graduação em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva (PPGBios), desenvolvido em associação entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) também divulgou nota cobrando proteção ao trabalho da docente. “Além de repudiar as agressões, a Abrasco cobra das autoridades policiais e judiciárias ações capazes de proteger a integridade do trabalho e da própria Debora, com a devida punição dos agressores.

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