Fechar menu

Fotografia: COP24.

Para reduzir o alto consumo de açúcar no país, considerado um fator de risco para obesidade e diabetes, o Ministério da Saúde anunciou acordo com a indústria (26/11) que tem como meta diminuir em até 62,4% a quantidade desse produto nos alimentos até 2020. O alvo principal é o biscoito recheado, que deve chegar ao máximo de 62,4% de diminuição, seguido de produtos lácteos (53,9%), mistura para bolos (46,1%), refrigerantes (33,8%) e achocolatados (10,5%).

“O acordo entre Ministério da Saúde e indústria para reduzir a quantidade de açúcar nos alimentos e bebidas industrializados, desculpem o trocadilho, somente adoça a boca do consumidor e da opinião pública”, opinou Maria Inês Dolci, advogada especialista em direitos do consumidor, em artigo na Folha de S.Paulo (5/12). Ela lembra que as indústrias não serão obrigadas a aderir, pois o acordo prevê participação voluntária.

O projeto de jornalismo investigativo sobre políticas alimentares O Joio e o Trigo considerou que as metas são frágeis. “O número de 144 mil toneladas de açúcar a ser retirado dos industrializados até 2022 corresponde a menos de 2% do açúcar utilizado nesses produtos”, calculou. Além disso, a maior parte dos produtos líderes de mercado escapa da régua fixada pelas próprias empresas: Nescau, Coca-Cola, Bono e outros cereais matinais, balas, chicletes e gelatinas. “Menos de metade dos produtos terá de passar por uma readequação ao longo dos próximos quatro anos. E sem possibilidade de punição”.

Como informou a Agência Brasil (26/11), a OMS recomenda que o consumo de açúcar deve ser equivalente a até 10% do total das calorias diárias — se possível chegar a 5%. Cada pessoa deve consumir, no máximo, 50 gramas de açúcar por dia ou cerca de 12 colheres de chá. Porém, os brasileiros consomem atualmente, em média, 80 gramas.