A COP24, cúpula climática da ONU, terminou em 15 de dezembro na cidade polonesa de Katowice, com um dia de atraso, depois de impasses nas negociações para regulamentar o “livro de regras” do Acordo de Paris, firmado em 2015 por 195 países que se comprometeram voluntariamente a limitar o aquecimento global a até 2ºC até o fim do século — com esforços para que a temperatura não subisse mais de 1,5ºC (G1, 16/12). A declaração final da cúpula ficou sem referências diretas a reduções nas emissões de gases com efeito de estufa até 2030, que constavam de versões preliminares.

Os acordos deveriam ser aceitos por unanimidade. De um lado, Estados Unidos, Arábia Saudita, Rússia e Kuwait barraram avanços e buscaram minimizar as conclusões do relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na sigla em inglês), segundo o qual se a temperatura subir 1,5 grau em relação aos níveis pré-industriais (atualmente, já subiu 1 grau) haverá maior risco de fome, conflitos, enchentes e migrações. De outro, a União Europeia e um grupo de países em desenvolvimento, além de pequenos Estados insulares ameaçados pelo aumento do nível do mar, defenderam um texto mais ambicioso (El Pais, 16/12).

A parte mais importante da regulamentação do Acordo de Paris foi aprovada, mas de forma inconclusa. Mais de 160 países apresentaram seus objetivos de redução das emissões, e os demais deverão fazê-lo até 2020.
Não houve acordo sobre o capítulo relativo aos mercados de carbono (o intercâmbio de cotas nacionais de emissões de gases do efeito estufa), que deve ser rediscutido dentro de um ano. Também não foi definida a ajuda financeira a países mais pobres.

O governo brasileiro retirou a candidatura para sediar a COP25, em 2019, que agora será realizada no Chile.

 “A COP24 não refletiu a ambição necessária nem os compromissos dos países para que a ação climática aumente.”
Tatiana Nuño, especialista em negociações climáticas do Greenpeace

“Ninguém vai ficar satisfeito depois destas negociações.”
António Guterres, secretário-geral da ONU

“Uma falta de compreensão fundamental da crise atual vivida pelo planeta.”
Fundo Mundial da Natureza (WWF, na sigla em inglês)