Apesar da carência de investimentos continuados em ciência e tecnologia, o Brasil conta com 12 pesquisadores entre os cientistas mais influentes do mundo em suas respectivas áreas de conhecimento, de acordo com ranking da empresa de consultoria Clarivate Analytics. Produzida anualmente desde 2014, a lista considera o número de artigos publicados em um período de 10 anos, e os selecionados pertencem ao grupo de 1% de pesquisadores que mantiveram as mais altas médias de citações durante o período.

Paulo Eduardo Artaxo Netto, da Universidade de São Paulo (USP), o brasileiro que mais pontuou no ranking, considera promissora a inclusão de brasileiros na lista, mas para ele há um recado a ser lido: “Estar nessa lista dos pesquisadores mais citados no mundo mostra que o Brasil tem enorme potencial de produção científica, mas que não está sendo devidamente aproveitado pela falta de investimento em ciência e tecnologia. Isso atrasa o nosso desenvolvimento e a implementação de políticas públicas baseadas em ciência”, afirmou à Agência Brasil (6/12).

Ao todo, foram selecionados cerca de 6 mil pesquisadores, em 21 áreas do conhecimento, além de campos transversais. Os Estados Unidos são o país com maior número de pesquisadores mencionados, 2.639 ao todo; em seguida aparece o Reino Unido, com 546; em terceiro lugar, está a China, com 482. Entre as pesquisas desenvolvidas pelos brasileiros, as áreas que mais se destacam estão relacionadas a ciências agrárias, meio ambiente, geociência, medicina e ciências sociais.

Os demais pesquisadores brasileiros que integram o ranking de cientistas são: Paulo Andrade Lotufo e Guilherme Vanoni Polanczyk, ambos da Faculdade de Medicina da USP; Carlos Augusto Monteiro (Faculdade de Saúde Pública/USP); Alvaro Avezum (Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese); Luísa Gigante Carvalheiro (Universidade Federal de Goiás); Adriano Gomes da Cruz (Instituto Federal do Rio de Janeiro); Daniel Granato (Universidade Estadual de Ponta Grossa); Miriam Dupas Hubinger (Unicamp); Renata Valeriano Tonon (Embrapa); Ana Maria Baptista Menezes; e Cesar Gomes Victora (Universidade Federal de Pelotas).

O número um

Paulo Eduardo Artaxo Netto desenvolve pesquisas sobre mudanças climáticas globais, meio ambiente e poluição do ar urbana. À Agência Brasil (6/12), ele afirmou que o trabalho que realiza na Amazônia tem trazido implicações para o desenvolvimento de políticas públicas. “Nós demonstramos por meio de uma série de trabalhos que o desmatamento e as queimadas têm impacto global muito grande no meio ambiente”, disse, a respeito de seus estudos sobre a influência de emissões de queimadas na saúde pública e no meio ambiente amazônico. Além disso, suas pesquisas demonstram como o processo de ocupação da Amazônia está afetando o ciclo hidrológico na região.

“Isso é importante e tem implicações, por exemplo, na produção agrícola brasileira e no papel da Amazônia no ciclo global”.