Apesar de serem maioria na população brasileira, há 27 anos majoritárias entre os que cursam ensino superior e representarem 49% das bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a principal agência de fomento à pesquisa no Brasil, as mulheres são gradativamente excluídas do universo acadêmico. Os números comprovam a prática, conhecida como “efeito tesoura”. Enquanto nas bolsas de iniciação científica elas representam 59%, nas de produtividade, as mais prestigiadas, com financiamento maior, as mulheres são somente 35,5%. Dentro deste grupo, as mais altas (chamadas 1A) só contemplam 24,6% de mulheres. O efeito também se comprova na ausência feminina no histórico das instituições: Na Academia Brasileira de Ciências, só 14% são do sexo feminino e nunca houve mulher presidente nos seus 102 anos de existência; o CNPq nunca teve uma presidente em 66 anos, e nas universidades federais brasileiras, há apenas 19 mulheres entre os 63 reitores.