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Para entender o Brasil, a jornalista e documentarista Eliane Brum decidiu inverter o ponto de vista de onde olhava os fatos. Era preciso ir para o centro dos acontecimentos. E o centro não era Brasília, São Paulo ou Rio de Janeiro. Em 2017, ela se mudou de São Paulo para Altamira, no Pará — “epicentro do impacto de Belo Monte, a mais violenta cidade da Amazônia e a região mais atingida pelo desmatamento da floresta”, como explica em seu livro “Brasil, construtor de ruínas — Um olhar sobre o país, de Lula a Bolsonaro” (Arquipélago Editorial). Para ela, a floresta passa a ser o centro do mundo em um planeta que vive em emergência climática. Com base em artigos e reportagens produzidas em duas décadas de jornalismo, Eliane analisa as contradições vivenciadas pela sociedade brasileira, da eleição de Lula aos cem dias do governo Bolsonaro. As transformações geradas por um modelo de desenvolvimento capitalista e predatório deixa um rastro de destruição, como se observa no exemplo da Usina Hidrelétrica de Belo Monte: mesmo com os impactos profundos no ambiente, na saúde e na vida dos povos do Xingu, a obra já em 2019 corria o risco de ser considerada inviável. Para a jornalista, o que acontece em Altamira é símbolo de um Brasil em ruínas.