“Gostaria de agradecer porque grande parte das informações que tenho vem da revista. Entendo que é uma fonte segura diante de tantas fake news”, disse R., leitora do Rio de Janeiro, profissional da educação e trabalhadora do SUS, sobre o papel de Radis em sua vida. Já o leitor V., profissional de saúde do Amazonas, vai além ao sugerir estratégias contra a desinformação: “Gostaria de ver a Radis como uma revista que ensine os leitores a serem multiplicadores de informações fidedignas e verdadeiras sobre saúde. Radis deve ser uma ferramenta de combate às fake news em saúde e, para isso, seus leitores precisam se tornar difusores da desconstrução desses conteúdos”, afirma.
Esses são apenas alguns dos depoimentos recebidos na primeira pesquisa de opinião do Programa Radis de Comunicação e Saúde, em relação à indagação: “O que você sente falta em Radis e como gostaria de vê-la no futuro?” Realizada entre 24 de março e 18 de maio de 2025, a consulta reuniu 1.290 respostas de pessoas que acompanham nosso conteúdo, por meio da revista, site e redes sociais. Após a circulação do questionário, os dados coletados passaram por análise e compilação no âmbito do projeto “Radis Aberto”, que propõe ampliar os espaços de diálogo e participação social na comunicação desenvolvida pelo programa.
A pesquisa foi composta por duas partes. A primeira buscou identificar o perfil dos leitores, com perguntas sobre faixa etária, estado de residência, gênero, raça/cor, escolaridade, área de atuação profissional e relação com o SUS (se usuário, trabalhador ou se acredita que “não utiliza o sistema”). Já a segunda parte procurou compreender a relação dos leitores com os conteúdos produzidos por Radis.
Foram abordados temas como o tempo de contato com a publicação, os formatos de leitura (revista e/ou site), a frequência com que acessam cada veículo, o uso das redes sociais, a avaliação da qualidade gráfica e dos textos, além das formas de contato com Radis, seja pelas redes sociais ou pela Área do Assinante no site. Também buscamos identificar as principais motivações de leitura, os temas de maior interesse e sugestões de pautas.
Com os resultados em mãos, apresentamos, nesta reportagem, um retrato do que Radis representa para o nosso público leitor. Em especial, destacamos a contribuição de 613 pessoas — quase metade dos participantes — que dedicaram tempo para responder de forma textual à última pergunta, sobre o que espera de Radis. Trata-se de uma questão que articula passado, presente e futuro e nos permitiu conhecer um pouco mais sobre cada leitor e leitora, entender como nosso trabalho é recebido e refletir sobre o que pode ser aprimorado e sobre como nossos leitores imaginam a continuidade da publicação.
Quem são nossos leitores?
As mulheres são maioria. Elas correspondem a 61,2% das 1290 pessoas que participaram da pesquisa. Já em relação à idade, sete em cada dez leitores estão na faixa etária entre 25 e 54 anos e 49,9% afirmaram ser profissionais de saúde. Para a pergunta sobre cor ou raça, utilizamos a classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): a maioria dos participantes se identificaram como brancos (52,1%), seguidos por pardos (33,6%), pretos (12,6%), amarelos (0,9%) e indígenas (0,8%).
Do ponto de vista geográfico, a maior parte dos leitores está localizada em um corredor que atravessa Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, com presença expressiva também na Bahia, em Pernambuco e no Rio Grande do Sul — estados que, juntos, concentram quase 70% das respostas. Contudo, recebemos contribuições de todos os estados brasileiros, exceto do Acre.
“Conheci Radis no consultório de oftalmologia e me encantei com a didática e a capacidade midiática de aproximar temas de saúde, SUS, diversidade e questões sociais. Ao perceber a linguagem clara e esclarecedora da revista, logo quis ser uma leitora assídua e me cadastrei”, escreveu Y., uma leitora de Minas Gerais, que se identificou como pessoa preta e profissional de educação. Ela continua: “No futuro, desejo que Radis mantenha-se firme, com a mesma linha editorial crítica e reflexiva, sendo capaz de aproximar mais leitores aos temas essenciais: saúde integral de todos e por mais temas com vieses diferentes, ampliando as possibilidades de enfrentamento e a compreensão de que a sociedade envelhece”.
Ainda sobre o perfil dos participantes, nove em cada dez cursaram o ensino superior, e a maioria (60%) avançou para a pós-graduação — especialização, residência, mestrado e/ou doutorado. A publicação, cuja trajetória está diretamente ligada ao movimento da Reforma Sanitária, reúne, entre os respondentes, metade de pessoas que trabalham na área da saúde. Quando perguntados sobre sua principal relação com o SUS, a maior parte (1.141 pessoas) se declarou na condição de usuário (49,5%), seguida por trabalhadores do SUS (38,9%).
No entanto, também há presença significativa de estudantes de ensino superior ou de pós-graduação (13,3%; 172) e de profissionais da educação (12%; 155) entre os respondentes da pesquisa. “Muitas vezes atualizo minhas aulas, palestras e discussões com dados e referências de matérias de meu interesse e da última página da revista, com sugestões de publicações atuais”, diz C., doutor e trabalhador da área da saúde, ao comentar a importância do material em sala de aula. Ele afirma conhecer Radis há mais de dez anos.
“Acredito, inclusive, que vocês podem expandir o reconhecimento da revista entre estudantes e jovens do ensino fundamental e médio. Foi por meio das matérias de Radis que adquiri informações importantes, que me levaram a escolher minha área de atuação e a conquistar ótimas redações, cujos temas da revista estão sempre presentes no Enem. Não foi à toa que alcancei a nota 960 na redação: foi graças a esta revista”, disse N., que declarou estar na faixa etária entre 25 e 34 anos, mas conheceu a publicação ainda na adolescência.
Quem são os leitores de Radis?*

* De acordo com a Pesquisa de Opinião
Radis e você
Após esse breve perfil de quem acompanha nosso trabalho, a segunda parte da pesquisa buscou compreender como se dá a relação dos leitores e leitoras com nossas diferentes mídias, especialmente com a revista. Afinal, boa parte do público apontou uma ligação de longa data com a publicação. Entre os respondentes, 67,1% conhecem Radis há pelo menos cinco anos, e 137 pessoas desse grupo leem a revista há mais de duas décadas.
“Recebo a revista desde 1987, quando estava no segundo ano da graduação em enfermagem. Desde então, ela permanece como uma publicação de referência na saúde pública, na defesa do SUS e no compromisso com a democracia. Apenas continuem assim, honrando as melhores práticas jornalísticas e o compromisso com o serviço público brasileiro. Parabéns, meus amigos há mais de 30 anos”, afirma P., que conheceu Radis quando esta ainda era dividida em quatro publicações (revista Tema, Dados, Súmula e Jornal Proposta).
Quase a totalidade dos entrevistados (98%) considera que os temas abordados pela publicação são relevantes para o interesse público. Em relação à revista impressa, três em cada quatro leitores afirmaram lê-la completamente ou quase na íntegra. Por isso mesmo, muitos defenderam a continuidade da versão impressa. “Eu prefiro a Radis que chega à minha casa (logicamente entendo a lógica do online), mas sou daquelas que ainda é apegada à revista e ao livro de papel”, disse I., profissional de saúde e trabalhadora do SUS.
“Gostaria que a Radis continuasse por muitos anos ainda em formato físico, pois no mundo completamente digitalizado de hoje é muito bom (e prazeroso) poder desfrutar de uma revista impressa e de qualidade.” deseja A., do Rio de Janeiro, leitor de Radis há mais de cinco anos.
Mídias digitais e revista
Ao analisarmos as mídias digitais, os dados indicam um padrão distinto de consumo. No site, 34,7% dos respondentes afirmaram realizar leituras — seja de todas as matérias, seja apenas daquelas de seu interesse —, enquanto cerca de um terço declarou não utilizar esse canal. Situação semelhante se observa nas redes sociais: 43% acessam os conteúdos, variando entre os que estão sempre conectados e os que acompanham apenas ocasionalmente, percentual próximo ao dos que quase nunca buscam Radis por esses meios (42,6%).
Ainda assim, os entrevistados expressaram de forma consistente o desejo de que a publicação amplie sua presença em formatos digitais e em outras plataformas, como estratégia para expandir o público e o acesso à informação. “O conteúdo é valioso, cuidadoso e potente. O que sinto falta, no entanto, é de uma presença mais consistente no universo multimidiático. A revista tem força para dialogar com outras linguagens e acredito que uma mídia mais trabalhada visualmente, com presença ativa em diferentes formatos digitais, pode ampliar ainda mais seu alcance e impacto”, afirma R., leitora da Bahia e profissional da comunicação.
Independentemente do meio de leitura, um aspecto amplamente valorizado pelos respondentes é a gratuidade da revista e do acesso aos conteúdos. “Acho incrível ter a possibilidade de acesso a material físico e gratuito sobre temas importantes. Para o futuro, espero que possa continuar assim e trazer mais temas sociais envolvendo pessoas em situações de vulnerabilidade”, disse F., leitora de Minas Gerais, da área da educação.
E qual seria o principal motivo para a leitura de Radis, segundo os participantes da pesquisa? O interesse por temas e questões da área da saúde aparece em primeiro lugar, reforçando a vinculação de 39,1% do público (504 pessoas) com esse campo. Em seguida, surge a motivação “porque traz uma perspectiva crítica sobre questões atuais, assim como uma diversidade de vozes não hegemônicas” (18,7%; 241 respondentes). Em terceiro lugar, destaca-se a possibilidade de se manter atualizado sobre discussões contemporâneas, seguida pelo interesse em temas relacionados aos direitos humanos e, em quinto, pela ciência.
Esses dados se confirmaram quando os leitores foram convidados a refletir sobre a principal contribuição dos conteúdos de Radis em suas vidas. “Que essa revista continue sempre trazendo informações relevantes para o nosso dia a dia no âmbito do trabalho, bem como nos atualize de forma clara e enriquecedora”, afirma R., de Santa Catarina, leitor da publicação há mais de 20 anos.
Críticas que constroem
A questão aberta também possibilitou o recebimento de críticas e sugestões sobre aspectos considerados importantes pelos leitores e leitoras, como a abordagem dos temas, o formato e o tamanho dos textos, entre outros pontos. Muitos pediram uma publicação com textos mais curtos, para dar espaço a uma maior diversidade de assuntos; outros, por sua vez, consideram que a revista poderia ter mais páginas. Também houve diversos pedidos de ajustes gráficos que facilitem a leitura. “Na revista impressa, deveriam cuidar para que a fonte tipográfica ficasse em maior destaque em relação ao fundo, pois muitas vezes a visibilidade é prejudicada — ainda mais para leitores idosos”, afirma K., do Espírito Santo, com mais de 65 anos.
Algumas manifestações solicitaram que os textos sejam mais focados no que chamam de “ciência pura” ou em uma concepção mais restrita de saúde. Também sugerem uma atenção constante com a diversidade de enfoques nas pautas. “Acredito que, se houver uma preocupação maior com o contraditório, abordando diferentes visões sobre o tema trabalhado na reportagem, enriquecerá a todos”, sugere A., profissional do SUS e leitor de Radis há mais de dez anos.
No entanto, predomina a percepção de que o trabalho de Radis é voltado para o fortalecimento do SUS e das vozes da saúde, por meio da promoção dos direitos à informação e à comunicação: “Continuem sendo fonte de atualização de conhecimento, com informação de qualidade, se fugir muito dessa positividade pode deixar de ser Radis, permaneçam com essa informação precisa. São a voz da saúde, não se calem”, escreveu outro I., leitora do Espírito Santo e trabalhadora do SUS.
Um dos pontos que geraram maior insatisfação foi o atraso no recebimento da revista impressa após 2020, em decorrência de fatores externos, como mudanças de contrato com a gráfica responsável pela impressão e com os Correios. “Gostaria que o impresso chegasse regularmente. Ultimamente, demora a chegar a versão mais atual”, explica S., profissional de saúde com mestrado, do Ceará. “O recebimento da revista física com regularidade, como era feito no início da minha assinatura. Adoro a Radis!”, deseja I., leitora de Pernambuco, que conhece a publicação há mais de 20 anos.
Tradição e inovação
Além de numerosas mensagens de elogio à publicação e ao trabalho da equipe, muitas respostas também reforçaram a importância de ampliar a disseminação da revista para diferentes públicos, especialmente estudantes. “Sinto falta de maior divulgação da revista nas escolas públicas”, afirma S., profissional da educação do Rio de Janeiro. “Gostaria de ver a Radis, no futuro, com um cadastro nas escolas públicas e privadas, para que os alunos pudessem levar a revista para casa e ter esse contato com informações relevantes”, sugeriu N., do Rio de Janeiro, mestre e trabalhadora do SUS.
O desejo de ampliação também se estende a propostas de maior difusão da revista em universidades, secretarias de saúde e educação, entre outros espaços. “Sinto que a Radis tem um alcance maior entre pessoas da área da saúde e/ou profissionais que se interessam ou necessitam do conteúdo. Considerando o potencial informativo e formativo da revista, gostaria que ela fosse mais divulgada e, consequentemente, mais popularizada”, sugere C., assistente social de Minas Gerais e leitora da publicação há mais de dez anos.
Uma Radis com maior participação social e a criação de mais canais de diálogo com o público também foram pontos mencionados. Além disso, surgiram sugestões de incorporação de outros formatos, como vídeos e podcasts, bem como a possibilidade de expansão para publicações regionalizadas e seções voltadas para crianças. Esses pedidos indicam o potencial da publicação de ser mais utilizada como material didático e de fortalecer a sua presença nos serviços de saúde, nos movimentos sociais e em espaços como escolas e universidades.
A existência de um jornalismo com viés crítico e comprometido com a saúde pública e os direitos humanos também foi exaltada pelos participantes. “Que permaneça com reportagens feitas com criticidade, emoção e sensibilidade, defendendo sempre a justiça social e ambiental, e que mostre sempre a importância de um sistema único de saúde robusto, forte, universal, integral, público para a saúde do povo brasileiro. Parabéns, Radis!”, escreveu R., trabalhadora do SUS de Santa Catarina.
“Sinto falta de uma cobertura mais diversa e regionalizada como populações indígenas, quilombolas, ribeirinhas e outras realidades locais pouco visualizadas; e criar espaços mais ativos de escuta e trocas com o público. E para o futuro: maior presença em redes sociais e plataformas emergentes”, sugere M., trabalhadora do SUS de Pernambuco.
Entre a tradição e a inovação, os leitores que acompanham Radis esperam o fortalecimento da comunicação pública desenvolvida pelo Programa e a continuidade de sua missão de defender o SUS, a democracia e os direitos, ao mesmo tempo em que promova outras formas de comunicar. “Para mim, a Radis é uma revista completa. Gostaria de vê-la ainda mais forte, pensando junto com seus leitores e sendo cada vez menos dependente das mídias sociais tradicionais”, diz E., profissional da comunicação do Rio de Janeiro.
O leitor F., de Pernambuco, que utiliza Radis como material de estudo, reforça essa percepção: “A Radis cumpre um papel importante na divulgação de conteúdos relacionados à saúde. Traz reflexões relevantes para a sociedade, especialmente na defesa da ciência e do SUS”.
Ao acolher as respostas dos 1.290 participantes da pesquisa, a equipe de Radis entende que fortalecer a comunicação pública significa reconhecer os múltiplos usos que leitores e leitoras fazem da revista e dos conteúdos multimídia: como material didático, fonte de informação, objeto de leitura, bem público, arena de debate e companhia no cotidiano.Nosso desejo é estreitar os laços que nos aproximam do público que nos acompanha, ampliar os canais e espaços de escuta e participação e fazer uma comunicação cada vez mais ancorada com as questões urgentes da sociedade. Acreditamos que é o caminho para que Radis continue sendo espaço de liberdade, resistência e compromisso público, como indicaram muitas falas de nossos leitores e leitoras.
Como o público enxerga Radis?

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