Rigor, empenho, compromisso e espírito crítico marcam a história e o cotidiano da revista Radis, que chega a sua centésima edição reafirmando o direito à comunicação como fundamental para a garantia do direito à saúde, previsto na Constituição. Até aqui, foram oito anos e cerca de 2.500 páginas de reportagens, entrevistas, artigos, fotos, gráficos, cartuns, enfim, abordagens jornalísticas diversas, a serviço da defesa do Estado, do SUS e dos princípios da Reforma Sanitária, da mobilização coletiva e do direito da sociedade de se informar para atuar na definição dos próprios caminhos.
Nesta edição especial, Radis dedica algumas páginas a compartilhar com os leitores detalhes de sua história, as propostas que norteiam seu conteúdo e os bastidores dessa produção. É uma forma de referendar seu compromisso com um jornalismo de qualidade em prol da saúde pública brasileira. Afinal, Radis pretende levar novas edições a seus leitores por muito tempo ainda.
Uma revista que já nasce com história
A revista Radis tem sua origem em quatro publicações que inovaram ao abordar a temática da saúde em seu sentido mais amplo e circularam pautadas pelo olhar crítico e reflexivo do Programa RADIS, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/ Fiocruz). Três delas foram lançadas já no ano de criação do programa, em 1982: Súmula, que trazia um apanhado do que era publicado na imprensa, visando a um acompanhamento crítico desse conteúdo; Tema, publicação que aprofundava em suas páginas um assunto específico; e Dados, que analisava informações epidemiológicas a partir de gráficos e tabelas. A quarta publicação foi lançada em 1987 — Proposta, jornal em formato tabloide, que colocaria em debate as teses do Movimento Sanitário e que chegou a se chamar Jornal do Radis em suas duas últimas edições, em abril e agosto de 1994 —, buscando dar continuidade aos debates da 8ª Conferência Nacional de Saúde, que se realizara em 1986. As quatro somaram 167 edições, que fizeram a diferença para os leitores por seu pioneirismo, mas que, por conta dos altos e baixos do orçamento disponível e das ingerências políticas (se, em 1988, Súmula, Proposta, Tema e Dados saíram com regularidade, totalizando 25 edições, um recorde dos primeiros dez anos do Programa RADIS, em 1992, o Governo Collor suspendeu as publicações e somente uma edição de Súmula circulou), não mantinham periodicidade regular e foram se descontinuando aos poucos. Proposta saiu de circulação em 1994 e Dados, em 1996. Tema e Súmula mantiveram-se até 2002 — a periodicidade mensal foi retomada no segundo semestre de 2001, após uma reformulação total da gestão do Programa RADIS.
A produção das duas publicações nesse período foi importante na preparação da equipe para lançar a nova revista, que, a partir de agosto daquele ano, assumiria os perfis de suas quatro antecessoras, com projetos editorial e gráfico novos, novas seções e volume de páginas maior.
Os vinte anos de produção das quatro publicações iniciais representaram amadurecimento crescente do Programa RADIS, nascido ainda no apagar das luzes da ditadura militar e que, com espírito independente e linha editorial crítica, conseguira ganhar fôlego para fazer frente ao objetivo de se tornar uma espécie de “arauto” da Reforma Sanitária (ver Radis 60).
Foram antecedentes importantes: a revista Radis já nasceu com história e rapidamente conquistou seu espaço como publicação aguardada com ansiedade mês a mês por leitores interessados em um olhar diferenciado sobre a saúde pública do país. “A diversidade de perfis das publicações anteriores não dava ao nosso leitor a sensação de continuidade. Ele passava quatro meses ou mais sem ler uma matéria mais profunda e abrangente, mesmo que recebesse a Súmula mensalmente”, explica o jornalista Rogério Lannes, coordenador do Programa RADIS, desde 2001, e integrante da equipe de jornalistas desde 1987. “Assim, consideramos que as publicações poderiam levar seus perfis distintos para uma revista, única, robusta, com periodicidade e continuidade bem definidas e regularizadas, e mais rica tanto na variedade de assuntos quanto na forma de tratá-los — em reportagens, entrevistas, dados estatísticos, artigos”. A primeira edição da revista, batizada com o nome do programa do qual faz parte, circulou em agosto de 2002. O Programa RADIS comemorava seus 20 anos.
Uma das seções fixas da Radis é a Súmula, que a b r e a r e v i s t a , mantendo o mesmo perfil da publicação independente que lhe deu origem. “A Súmula, como publicação ou como seção, sempre foi muito valorizada por todos os tipos de segmento de leitores”, observa Rogério. Já o espírito da Dados com seus gráficos e tabelas esteve presente de forma explícita em pelo menos três edições da Radis, a 2 (Maternidades do Brasil, com um panorama de assistência ao parto no país), 23 (A saúde em números, sobre pesquisa OMS-Fiocruz) e 96 (Os brasileiros e os serviços de saúde, com dados da Pnad/IBGE). Mais recentemente, Dados vem inspirando matérias em uma espécie de versão compacta da antiga publicação, como nas matérias Mudanças de hábitos alimentares leva doenças crônicas às aldeias (Radis 97) e Privação de liberdade (Radis 99).
Proposta e Tema perpassam as reportagens e entrevistas, que compõem mensalmente as edições, em especial, no que diz respeito à cobertura da conjuntura política na qual se contextualiza a saúde do país.
O fim das publicações que originaram Radis e o início da trajetória da nova revista foram coroados com uma distinção de peso: o Prêmio Opas de Jornalismo em Saúde, recebido em 2002, da Organização Panamericana de Saúde. O RADIS enviou cinco textos, obtendo o 2º, o 4º, o 5º, o 6º e o 7º lugares, entre 40 trabalhos encaminhados por veículos como Folha de S. Paulo, O Globo e Correio Braziliense.
Muito empenho, poucos recursos
Nas primeiras edições, o miolo da Radis era todo em preto e branco; somente a capa era colorida, e a revista praticamente não tinha fotos, uma vez que nunca houve fotógrafo na equipe — até hoje, as fotos são feitas pelos próprios repórteres — e a primeira máquina fotográfica só foi adquirida já por volta de 2005. Para que a equipe pudesse contar com um notebook que facilitasse a apuração das reportagens, foi preciso aguardar até 2003, quando a 12ª Conferência Nacional de Saúde impulsionou a aquisição do equipamento. “E não foi comprado com dinheiro do orçamento, e sim com recursos que remuneravam trabalho em projeto”, ressalta Rogério. “Em vez de aceitar a complementação salarial, compramos o equipamento e doamos à Fiocruz, transformando-o em patrimônio público”, explica.
Somente a partir da edição 36, de agosto de 2005, todas as páginas da revista passaram a ser impressas em cores, mantendo-se assim até hoje.
Para viabilizar a revista, com número de páginas estável e periodicidade idem, foi feito acordo entre a nova coordenação do RADIS e as direções da Fiocruz e da Ensp para uma composição de orçamento. “Para quem saía de uma situação em que os recursos não davam para mais do que quatro publicações ao ano, cada nova edição da Radis na mão dos assinantes foi uma vitória da informação e da comunicação em saúde”, analisa Rogério, lembrando que só em janeiro de 2003 Radis passou a ter orçamento próprio, fora das rubricas da direção da Ensp.
A habilidade de se fazer muito com pouco e usar com zelo o dinheiro público é traço forte do perfil da Radis. O primeiro aumento do número de novos assinantes, por exemplo, se deu sem aumento de custo. O contrato com a gráfica prevê devolução garantida de exemplares que não chegam ao destino. O Programa RADIS tem um profissional que se incumbe prioritariamente de detectar duplicidade de nomes no cadastro e endereços que não valem mais. Foi por conta dessa medida que os 42 mil assinantes cadastrados em 2001 (e que recebiam as publicações anteriores) revelaram, na verdade, 32 mil, possibilitando-se que novos 10 mil assinantes passassem a receber Radis. O aumento gradual de tiragem também não implicou aumento de gastos, ganhando-se na produção em escala, primeiro com a mudança de papel de impressão e de máquinas planas para rotativas. Depois, impondo concorrência entre grandes gráficas nacionais e, em seguida, baixando ainda mais os custos com a adoção de pregões eletrônicos. Tiragem maior representou menor custo unitário de impressão com os Correios.
O processo de produção
1 — A produção de cada edição da Radis começa cerca de dois meses
antes de sua circulação, quando é realizada uma reunião de pauta com
toda a equipe da redação e a coordenação do Programa RADIS. Na reunião
são apresentadas sugestões de reportagem, examinados os eventos
a serem cobertos e temas que deverão ser debatidos nas páginas.
2 — As matérias são distribuídas pelos jornalistas da equipe, que
se encarregam de apurar e, muitas vezes, fotografar. Sempre que
possível, e dependendo da complexidade da reportagem, são enviados
dois ou mesmo três integrantes da equipe.
Repórteres em ação : 1 — a subeditora Katia Machado, com a subcoordenadora Justa Helena Franco, em visita a hospitais (Radis 95); 2 — Bruno Dominguez conversa com o infectologista Benedito Fonseca (Radis 74); e 3 — Adriano De Lavor ouve o pajé xukuru Zequinha (Radis 84)
3 — A apuração inclui trazer referências para a criteriosa criação do aspecto
gráfico das reportagens, tais como imagens dos cestos fabricados pelos
xavante, cuja trama virou ilustração das páginas da matéria Vida na aldeia
(Radis 98), fotos dos banners de congressos e outros eventos para tomar
as cores como base da confecção das páginas ou para servir de ilustração.
4 — O material produzido é todo lido e consolidado
pela editora, que, em seguida, ao lado da subeditora
de arte, trata de sua organização pelas páginas de
acordo com o espaço previsto para cada matéria.
Acima, Eliane Bardanachvili (E), no fechamento, com Dayane Martins. Ao lado, o ex-subeditor Aristides Dutra, responsável pelo projeto gráfico da Radis
5 — Uma vez definida disposição de cada matéria nas páginas são fechados os títulos, subtítulos e legendas, dentro do programa de edição.
6 — As fotos das matérias são jornalísticas, na maior parte das vezes, mas podem também ser conceituais, como a da edição 99 (Privação de liberdade), que resultou de intensa troca de ideias da equipe e mereceu produção especial.
7 – O visual estabelecido para capa e matérias pode também prever ilustrações.
Rogerio Lannes faz a cobertura fotográfica na aldeia xavante (E). Eduardo Oliveira produz a foto de capa da revista 99.
A assistente de arte, Natália Calzavara, e a ex-estagiária Rosângela Pizzolati preparam a ilustração da seção Pós-Tudo da Radis 92
8 — Cartum e Radis Adverte ficam a cargo da Arte, referindo-se a um tema específico da revista ou ao conjunto das matérias.
9 — Tudo pronto, uma cópia impressa do material é passada aos integrantes da equipe para cuidadosa revisão e, em seguida, ao coordenador para a aprovação final.
10 — Feitas as alterações a revista é enviada à gráfica para impressão, e, em seguida, para, etiquetagem e distribuição aos assinantes.
11 — Uma vez concluída a produção, é hora de preparar a revista para entrar no site do RADIS, em pdf e em html, e também os arquivos da seção Exclusivo para a Web, que traz íntegras de textos e links para arquivos (textos, vídeos e áudios ) referentes às matérias da edição.
Direto ao assinante
Outra medida contra o desperdício é o envio da revista direto ao assinante, seja ele pessoa física ou jurídica, instituição governamental ou não governamental. “É muito comum o envio de outras revistas e impressos em geral em pacotes para instâncias intermediárias, contando-se que estas distribuirão aos demais setores. Mas pode haver falha ou atraso nessa distribuição. Assim, preferimos mandar para cada biblioteca, por exemplo, e não para o setor de coordenação dessas bibliotecas”, explica Rogério. Todo esse trabalho faz com que não haja perdas pelo caminho e que cada exemplar da Radis realmente chegue às mãos de um leitor interessado. “Como rodamos o Brasil todo fazendo reportagens, temos verificado que isso funciona”.
Dinheiro público
Rogério observa que somente ao longo dos anos foi se tornando mais claro para os gestores que a comunicação faz bem à saúde, o que, somado ao sucesso que a Radis conquistou junto aos leitores, refletiu-se em aumento gradativo de recursos para a produção da revista. “Mesmo assim, nunca perdemos de vista que estamos lidando com dinheiro público”, aponta.
Esse cuidado expressa- se, por exemplo, na informação sobre a tiragem da revista, registrada no Expediente, na página 4. A cada edição, é verificado e registrado o número exato de exemplares impressos, de modo a fazer com que aquele espaço seja também de prestação de contas à sociedade.
Hoje, são 72 mil exemplares (nesta edição, excepcionalmente, 78 mil), 24 páginas coloridas — e 36 em duas das edições anuais, como esta especial nº 100 —, plenas de fotografias e ilustrações. A equipe conta com profissionais bem preparados de jornalismo e de design. Mas novos desafios ainda se anunciam. As páginas são poucas para a quantidade de assuntos que devem ser postos em debate, com o devido aprofundamento. “Queremos que a revista fique mais encorpada e ganhe mais páginas”, planeja Rogério, associando a concretização desse plano a mais profissionais e recursos no orçamento. Um cenário que pode não estar tão distante. “A qualidade e a diversidade dos conteúdos, o espírito crítico e a periodicidade cumprida à risca reforçaram muito o prestígio e a credibilidade da Radis”, avalia Rogério.
Ao longo dos últimos oito anos, desde que Radis foi lançada, contabilizam- se 304 páginas publicadas anualmente, com regularidade, sem falhas. Número bem superior ao dos oito anos que antecederam a reformulação do Programa RADIS (entre 1993 e 2000), quando foi registrada média de 104 páginas anuais.
Em 2004, Radis uma grande conquista no sentido de agregar novos nomes da Saúde a seu cadastro de assinantes, incluindo todos os delegados que haviam participado da 12ª Conferência Nacional de Saúde, que se realizara no ano anterior. Esse objetivo continuaria a ser perseguido. Em 2009, todos os conselhos de saúde do país foram incorporados e passaram a receber Radis. A partir da edição 93, de maio de 2010, a revista começou a chegar a todas as secretarias municipais de Saúde do país, ou seja, atingiu os mais longínquos municípios brasileiros. Mais uma vez, a empreitada se deu como consequência do zelo pelo bom uso do dinheiro público: “alcançar este antigo desejo foi possível com gasto ainda menor do que antes, pela economia de escala no contrato com os Correios, em função de termos ultrapassado a barreira dos 70 mil exemplares”, conforme explicou Rogério, no editorial da 93.
Temas da saúde em Abordagem jornalística
Da definição das matérias à disposição delas nas páginas, passando pela apuração e a redação dos textos, cada detalhe é pensado, pesquisado e inserido na revista com determinada razão de ser. Valorizando a abordagem jornalística, os temas — relacionados à saúde pública, em sentido amplo — são apresentados com o cuidado de se fazerem compreendidos pela ampla gama de leitores, que inclui pesquisadores, professores, agentes de saúde, dirigentes de instituições e estudantes, entre outros grupos. “Não pretendemos em absoluto banalizar ou superficializar o tratamento dos temas, mas também cuidamos para que não sejam apresentados de forma complexa, inacessível”, diz Rogério. “Estamos falando em nome da Fiocruz e levamos para a revista o mesmo rigor que pauta a Fiocruz em tudo o que ela faz”. O mesmo entendimento teve a jornalista Marinilda Carvalho, que editou Radis durante seis dos oito anos de existência da revista (ver entrevista na pág 26). “A Radis representa para o leitor a informação preciosa que ele não encontra em parte alguma”, observa Marinilda.
Em relação ao aspecto visual, a disposição dos textos de forma agradável, com os recursos jornalísticos dos entretítulos, dos boxes e das matérias coordenadas, compostos com fotos, gráficos e outros recursos visuais, que sempre embutem informações importantes, jornalísticas ou conceituais, foi um objetivo perseguido desde o início, com muita criatividade para driblar as dificuldades iniciais. Esse trabalho pautou-se em três eixos, como explica Aristides Dutra, que foi subeditor de arte da Radis até a edição 98, e também o idealizador do projeto gráfico da revista.“Levei em conta o respeito à história das publicações que originaram a Radis; a inspiração em publicações respeitáveis (da Scientific American a sobriedade, e da The New Yorker a simplicidade e o uso frequente da ilustração); e a viabilidade de ser produzida por uma equipe pequena, com baixo orçamento e poucos recursos técnicos”.
Informação para o exercício da cidadania
Na primeira edição, Radis já dava sinal de que manteria o espírito do Programa RADIS ao qual pertencia, e das publicações das quais derivava. Na matéria de capa, apresentou as propostas para a saúde dos então seis candidatos à Presidência da República, frisando que não privilegiaria candidaturas e caminharia, na contramão da mídia dominante e seu “procedimento indecente” de realizar debates apenas com os candidatos que se revelavam mais fortes nas pesquisas de opinião. A condução das reportagens obedece às mesmas propostas que nortearam as publicações do Programa RADIS, desde 1982: valorização da informação para que a sociedade exerça seu direito de propor, fiscalizar e controlar, enfim de exercitar a cidadania; tratar a saúde de forma ampla, como propõe a Reforma Sanitária, abrangendo questões como condição de vida, de trabalho, cultura e lazer; lidar com as questões de saúde como temas a serem debatidos com e pelo leitor, como propostas em construção, que podem ser criticadas, refutadas ou acatadas. “Procuramos trazer para a revista os temas enquanto ainda estão se concebendo, nos quais o leitor pode interferir, para que ele se insira no debate durante a formulação dos consensos e tenha chance de modificar alguma coisa”, explica Rogério. “Queremos que o leitor possa participar, de preferência, coletivamente, do processo de formulação de uma lei, por exemplo, e não apenas que ele fique sabendo que a lei foi aprovada”.
Mesmo uma política pública já implementada é problematizada nas páginas da Radis, como algo que pode ser modificado, aprimorado, não como algo definitivo. Temas como os das farmácias populares (Radis 25), das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) (Radis 83) ou das fundações estatais de direito privado (Radis 58 e 79) são alguns dos que já foram tratados de forma que o leitor pudesse discutir se deve ou não ser feito e, em se adotando, se há algo a ser melhorado.
Em relação à abordagem das matérias, Radis já teve oportunidade de explicar a alguns leitores que lhe cobraram “neutralidade” e “imparcialidade” que sua proposta prima pela qualidade da informação, mas sem a ilusão de que o jornalismo se faz de forma neutra. Se dependesse de leitores como Josenilton Matos Dias, que está na seção de cartas desta edição, não seria necessário dar qualquer explicação. “Imparcialidade nunca foi seu forte, pelo contrário, na hora da verdade, soube de que lado deveria ficar — a defesa incondicional do SUS”, entende Josenilton, conforme registrou em sua carta.
Rogério confirma. “O que oferecemos é a transparência de que nossa linha editorial defende o papel do Estado, os direitos da sociedade, a Constituição, em especial, em seu capítulo sobre Seguridade Social, o SUS, o exercício da cidadania individual e a mobilização coletiva e os princípios da Reforma Sanitária — saúde se faz com democracia, direitos, atuação política, qualidade de vida, trabalho, salário, meio ambiente, moradia saudável, sistema de saúde universal, lazer, direito comunicar e de ser ouvido, direitos humanos, além de tudo o que envolve a atenção à saúde universal, com equidade, intersetorialidade, integralidade e humanização.
No site, sintonia com os novos tempos
O crescimento da revista e a capacidade de acompanhar os novos tempos, no que diz respeito aos recursos da tecnologia, também se expressa no site do RADIS, que, reformulado em 2004, passou a trazer a coleção completa de todas as publicações em versão digital, para busca, impressão e reprodução, a oferecer um formulário online para solicitação de assinatura (sempre gratuita, mas sujeita a ampliação de cadastro) e criando a seção Exclusivo para a web, uma espécie de prolongamento virtual da revista, trazendo íntegra de documentos, artigos e outros textos, vídeos, áudios, galerias de fotos e outros conteúdos relacionados às matérias publicadas em cada edição da Radis. Nas páginas impressas da revista, é sempre informado ao leitor quando há mais para ser lido na versão digital.
Em agosto de 2005, a seção Radis na Rede foi agregada ao site, para contemplar o leitor da revista usuário da internet semanalmente com pequenas coletâneas de textos extraídos de outros sites e da mídia de grande circulação tratando de temas atuais.
Sem abrir mão dos recursos da tecnologia, para levar a seus leitores ainda mais informação, Radis busca valorizar o papel dos veículos impressos. “Observamos, pelo retorno que recebemos, de pessoas que não têm acesso fácil à internet banda larga, que o formato impresso é muito bem recebido, desejado pelos leitores”, diz Rogério. Por isso mesmo, os planos continuam a ser feitos, como por exemplo, o aumento do número de páginas da Radis, assim que os recursos permitirem, e a produção de novos conteúdos para o site do programa, na internet. Uma nova versão do site, por sinal, está em fase de conclusão e será lançada em breve.

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