O jogo Zig-Zaids, lançado em 1991 pela Fiocruz para incentivar adolescentes a conversarem entre si sobre doenças sexualmente transmissíveis, ganhou versão digital — com conteúdo atualizado. Agora, tabuleiro, dados, pinos e cartas são virtuais e acessados na tela do computador. Basta baixar o arquivo do site da instituição, que está tudo lá.
Usando o mouse, os jogadores lançam os dados e movimentam seus pinos. À medida que vão caminhando pelo tabuleiro, e dependendo da casa em que caírem, precisam responder perguntas referentes à aids, suas formas de transmissão e prevenção, bem como a aspectos sociais e psicológicos da síndrome. Em seguida, podem comparar suas respostas às oferecidas pelo jogo, abrindo-se, assim, uma oportunidade de debate no grupo.
Recomendado para maiores de 12 anos, o Zig-Zaids propõe questões objetivas (“O que acontece com o nosso sistema de defesa depois que ele é atacado pelo vírus da aids?”) e subjetivas (“Teresa namora Leonardo, só tem relações sexuais com ele. Você acha que ela deve usar camisinha sempre?”).
Nesta versão, foram incluídas perguntas relativas a medicamentos, legislação, saúde sexual e reprodutiva e direitos dos portadores de HIV. Desde o lançamento, o jogo já passou por outras três atualizações: em 1995, 1999 e 2001.
“Nossa intenção era estabelecer um espaço de conversa acerca do tema”, diz a pesquisadora Simone Monteiro, chefe do Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz, que desenvolveu o jogo em parceria com Sandra Rebello e Virgínia Schall.
O Zig-Zaids surgiu de um projeto de pesquisa sobre materiais educativos voltados a crianças e adolescentes. “À época, percebemos que havia muita desinformação e a predominância de um discurso fatalista, de que a aids matava”, lembra Simone. Quase dez anos depois, ao reavaliar a adequação do jogo, a pesquisadora notou que pouco mudou. “Os adolescentes ainda têm essa visão fatalista, mas um desejo maior de discutir o assunto”.
Somente em 1995, o Ministério da Saúde comprou 100 mil unidades do jogo para distribuir pelo país. Simone credita o sucesso ao fato de o Zig-Zaids estar continuamente vinculado a um projeto de pesquisa: “Isso qualifica o material”. A experiência inspirou a criação de dois outros jogos — Jogo da Onda, sobre o uso de drogas, e Trilhas, que mapeia as principais instituições de ensino superior, de pesquisa científica e tecnológica, museus e acervos históricos do Rio de Janeiro.
Na versão atual, o Zig-Zaids é acompanhado de minidicionário com termos relacionados, lista de materiais de consulta e sugestões de uso para educadores.
Para acessar e jogar
O Zig-Zaids pode ser baixado gratuitamente em www.fiocruz.br/ioc/media/Zig_Zaids.rar. A Fiocruz doa um exemplar do jogo em CD-ROM para instituições públicas e da sociedade civil. O pedido deve ser feito por email (zigzaids@ioc.fiocruz.br) ou por carta (Fundação Oswaldo Cruz — Pavilhão Lauro Travassos, sala 22: Avenida Brasil 4365, Manguinhos, Rio de Janeiro, CEP 21045-900), informando endereço completo para recebimento e como será usado o material.


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