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Proposta de fim da escala 6×1 avança no Congresso

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que estipula o fim da escala de trabalho no regime 6×1, aprovada na Câmara dos Deputados no final de maio (28/5), foi enviada ao Senado Federal para apreciação dos parlamentares. 

Da forma como veio da Câmara, o texto propõe a redução da jornada de 44 horas para 40 horas por semana, em até 14 meses após a promulgação da medida. O fim da escala 6×1 e os dois dias de descanso semanais para os trabalhadores e trabalhadoras passam a valer 60 dias depois que a PEC for aprovada nas duas Casas.

O texto estabelece ainda que as folgas semanais não precisam ocorrer nos mesmos dias ou em semanas idênticas. Na prática, será permitido escalas diferentes ao longo de cada mês — o trabalhador poderá, por exemplo, folgar apenas um dia em uma semana, desde que tenha três na seguinte.

Antes de passar pela votação final no Senado, a PEC terá que ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. A expectativa, e pressão do governo, é de que o texto seja aprovado ainda antes do recesso parlamentar de julho.

Relembre reportagem de Radis que aborda os impactos da escala 6×1 na saúde (edição 269).


Matemática que adoece

Na escala 6×1, são 6 dias de trabalho, 44 horas por semana. Mas o que sobra?

Se contar as horas de deslocamento até o emprego, sobra ainda menos tempo para descanso, lazer, convívio familiar e cuidados básicos com a saúde.


O corpo sente

Comum em lojas, shoppings e supermercados, essa jornada exige longos períodos em pé e movimentos repetitivos. Com o tempo, aumenta o risco de LER-Dort, fadiga, estresse, irritabilidade, depressão e burnout.


Sofrimento psíquico

“Essa jornada tem relação direta com sofrimento psíquico e com adoecimento físico”

Monica Olivar, pesquisadora do Cesteh/Ensp/Fiocruz em reportagem de Radis 269


Jornadas exaustivas adoecem mais

Entre 2007 e 2022, o país registrou 17.681 notificações de transtornos mentais relacionados ao trabalho (Sinan).

Em 2022, mais de 209 mil pessoas foram afastadas do trabalho por transtornos mentais no Brasil (INSS).


Mais acidentes de trabalho

Jornadas exaustivas também aumentam o risco de acidentes de trabalho. Em 2022, o Brasil registrou 612,9 mil acidentes relacionados ao trabalho (SmartLab/MPT).


Quem mais adoece?

Jovens negros e negras estão entre os mais afetados pela escala 6×1. A jornada é comum em funções de baixa remuneração, como supermercados, farmácias, comércio e telemarketing, aponta Monica Olivar na edição 269 de Radis.


Impactos sociais

Sem tempo para estudar, descansar ou se qualificar, muitos trabalhadores ficam presos a uma rotina de sobrevivência. A escala 6×1 também aprofunda desigualdades sociais e de gênero.


“Quero ver meus filhos crescerem”

A falta de tempo para família, lazer e descanso afeta diretamente a saúde mental. Movimentos como o VAT (Vida Além do Trabalho) defendem o direito de existir para além do emprego.


E a informalidade?

A escala 6×1 se refere ao trabalho formal, com carteira assinada. Na informalidade — que atinge 39% dos trabalhadores, segundo a Pnad/2022 — a realidade costuma ser ainda mais dura.


Saúde do trabalhador é direito humano

A 5ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, entre os dias 18 e 21 de agosto de 2025, também definiu que a saúde do trabalhador é um direito humano.


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