Fotografia: Raquel Portugal - Icict/Fiocruz.

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Já estão em fase de desenvolvimento protótipos premiados no Hackathon Fiocruz

Tecnologia a serviço da saúde pública e do SUS. Já estão em produção os protótipos premiados na segunda edição do Hackathon Fiocruz de 2019, maratona tecnológica que promoveu o encontro entre profissionais das áreas de tecnologia e programação e servidores da casa. O objetivo da maratona é criar soluções tecnológicas criativas para desafios propostos na área de saúde pública. “Dexllab”, “Hackadoidos”, “P21” e “View Model Robust” foram as equipes vencedores entre as oito que participaram da competição que ocorreu nos dias 31 de novembro e 1º de dezembro, no Rio de Janeiro. Nesta fase, os times recebem a orientação dos propositores dos desafios, além do apoio financeiro da Fiocruz para o desenvolvimento dos protótipos aprovados.

Hackathons são espécies de “maratonas” tecnológicas que reúnem designers, programadores, desenvolvedores, empreendedores e profissionais ligados à tecnologia que competem entre si para solucionarem desafios em um curto prazo de tempo. Paulo Abílio, um dos coordenadores do Hackathon Fiocruz 2019, informou à Radis que a fase de desenvolvimento já começou, com reuniões entre os proponentes dos desafios e entre as equipes vencedoras. O objetivo é fazer com que as ideias se transformem em produtos que possam ser utilizados pela população.

Ele destacou que uma das finalidades do evento é aproximar pessoas interessadas em tecnologia para pensar sobre saúde, e ao mesmo tempo conscientizá-los sobre as contribuições que podem oferecer para o SUS. “Quando você traz essas pessoas que são da área de tecnologia, desenvolvedores, designers, programadores, e propõe um desafio da saúde, eles passam a entender a sua importância para contribuir com uma instituição como a Fiocruz, na promoção da saúde da população e na construção do SUS”, sinalizou.

Durante o Hackathon, competidores e organizadores "maratonaram" para o sucesso na entrega dos protótipos

Fotografia: Raquel Portugal - Icict/Fiocruz.

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Entre os desafios propostos em 2019 que resultaram nos projetos que estão em andamento, figuram questões relevantes de saúde pública que podem ser minimizadas por meio de aplicativos, como a continuidade do tratamento de tuberculose. Este foi o desafio proposto por Paulo Redner, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp). A tarefa foi aceita pela equipe “View model robust”, que planeja a produção de um “app” que permita acompanhar a jornada de tratamento da doença, uma espécie de diário com as informações do usuário e o registro da prescrição e o monitoramento do seu uso diário, além de um fórum e um quiz. O aplicativo também irá incluir o contato de profissionais com os usuários, quando necessário.

A prevenção de doenças transmitidas por carrapatos foi o problema levantado por Claudio Rodrigues, do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS), que solicitou dos participantes uma estratégia que trabalhasse “vigilância participativa”, envolvendo tanto profissionais de saúde quanto público leigo. A equipe “Dexllab”, vencedora deste desafio, sugeriu um aplicativo no qual o usuário pode cadastrar fotos do animal e a sua localização por GPS, o que permitirá que ele possa saber se ele representa um risco à saúde. O aplicativo recomenda ao usuário que, no caso de ter entrado em contato com algum carrapato que represente risco à saúde, procure uma unidade de saúde.

Gabriel Wallau, da Fiocruz Pernambuco, desafiou os participantes a criarem uma plataforma integrada de arboviroses para o SUS, que ajude a envolver a população no tema. A equipe “Hackadoidos”, vencedora do desafio, fez um protótipo que vai permitir o mapeamento de áreas de risco e conseguir localizar focos de vetores, com a ajuda de contribuições de usuários. A proposta também inclui uma área informações sobre formas de contágio e sintomas de diferentes tipos de arboviroses, além da indicação de unidades de saúde para atendimento.

O quarto desafio, proposto por Valéria Machado, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict), incentivou a apresentação de ideia que aprimorasse a comunicação entre a Fiocruz e o cidadão, com foco nas dúvidas da população sobre os cursos oferecidos. A equipe “P21” apresentou a criação de um chatbot (programa de computador que “interage” como em conversas humanas) chamado “Oswaldinho”, que atenderá a população 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem a necessidade de mão-de-obra humana. O bot prevê ainda uma pesquisa de satisfação do atendimento, entre outras funcionalidades.

Carlos Eduardo Farias, estudante de Design Gráfico, de 21 anos, conheceu o universo dos hackathons em 2016, quando ainda estava no ensino médio e participou da primeira edição do Hackathon Fiocruz. Em 2019, de volta ao evento, ele participou do desafio dos arbovírus. Ele explicou à Radis que no momento a equipe Hackadoidos ajusta o projeto com a Fiocruz Pernambuco e que espera angariar recursos para desenvolvê-lo não somente para uso no Brasil. “Hoje a gente fala sobre as arboviroses, mas a tecnologia pode ajudar em diversos outros casos”, afirmou. Em relação à experiência com os hackathons da Fiocruz, ele contou que hoje vê, por meio dos seus projetos, uma possibilidade de mudar o mundo, sonho que sempre teve. “Por meio desses projetos, eu consigo enxergar isso acontecendo, deixar a minha contribuição e de fato ajudar as pessoas ao meu redor”.

Durante a segunda fase do Hackathon, também estão previstas atividades voltadas para comunidade interna e externa da Fiocruz relacionadas à tecnologia. “A gente hoje tem uma população que é muito ligada na internet, que a partir de um telefone celular pode fazer muitas coisas”, disse Abílio. Ele explicou que mesmo que a população esteja próxima dessas ferramentas, ainda não são exploradas todas as potencialidades, como usos técnicos e profissionais.

Para Abílio, o Hackathon se propõe a unir pessoas discutindo sobre algo em comum de maneiras diferentes. Com isso, poupa-se tempo e dinheiro, assegurou. “Uma das propostas do Hackathon é pensar um pouco fora da caixa: de alguma maneira, você tem muita gente pensando na mesma coisa e essas pessoas pensam de forma diferente, então acaba que isso traz economia na busca de soluções”. Abílio também reforçou que as soluções encontradas podem economizar dinheiro público. “Ao invés de contratar uma empresa para desenvolver uma solução que você imaginou, você tem a oportunidade de ter muitas soluções, muitas ideias, e pode escolher as melhores ideias. Esse é um momento de troca que gera uma economia”, disse.

■ Estágio supervisionado

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