Fotografia: Géssica Leine.

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Não se pode falar em ações afirmativas, como o sistema de cotas, que frequentemente é questionado, sem olhar para o passado e refletir sobre o racismo estrutural, a desigualdade social e seus resultados.

A história pouco lembrada é de cinco milhões de seres humanos arrancados de suas terras para trabalhos forçados num grande território escravista. Foram quatro séculos de escravidão negra, que quando abolida deixou a população liberta ao abandono da própria sorte, expulsos das fazendas, sem teto, sem comida e sem garantias do Estado nem qualquer ação de políticas públicas em seu favor. Saíram das senzalas para as favelas. 

A escravidão está na base do alto custo social, econômico, político e humanitário que se paga até hoje. Está na violência autoritária que não poupa vidas e justifica ações criminosas, como a de agentes públicos, que cruelmente assassinaram um homem negro, jogando-o no porta malas de um carro, que serviu de câmara de gás, e no extermínio sem julgamentos de supostos bandidos nas favelas. 

Segundo e escritora Luana Génot, as gerações atuais são a continuidade “de uma história que acorrentou, desumanizou e matou milhões de pessoas negras e as impediu, assim como seus descendentes, de largarem do mesmo ponto de partida na corrida por oportunidades”.   

Embora a Constituição estabeleça direitos legais de igualdade para todos os cidadãos brasileiros, na prática tais direitos não são cumpridos para todas as camadas sociais, criando um clima de discriminação e marginalização, decorrentes de motivos raciais, étnicos, religiosos, de gênero e outros.

Com mais de um século de atraso, o Brasil propôs ações afirmativas, como o sistema de cotas, o que gerou acirrada polêmica no Brasil e ações judiciais, principalmente contra cotas para pessoas pretas, pardas e indígenas nas universidades e no serviço público. Uma decisão do Supremo Tribunal Federal pacificou a discussão em 2012, estabelecendo a temporalidade de 10 anos, que se encerra neste ano.

Os relatos colhidos pela repórter Licia Oliveira para esta edição atestam a importância e efetividade do sistema de cotas nas universidades, num país que necessita urgentemente romper suas desigualdades estruturantes e seu legado histórico de exclusão étnico-racial. 

É inegável que a educação está intimamente ligada às oportunidades de acesso ao trabalho e renda. E quanto maior a desigualdade, mais distantes estão as chances de ingresso numa universidade, mesmo pelo sistema de cotas.

Para oportunizar a preparação para os vestibulares de universidades públicas, cursinhos pré-vestibulares que atendem gratuitamente ou com taxas simbólicas a pessoas oriundas de escolas públicas, principalmente negros e negras, são uma alternativa de acesso aos estudos para as camadas de jovens mais pobres. Como bem disse um dos estudantes de jornalismo que assina o texto sobre o assunto para a Radis, esses cursinhos são “espaços de resistência e iniciativas que evidenciam a deficiência das políticas públicas voltadas para a educação”, que junto com a cultura é sucateada por governos que investem para apagar a ancestralidade do povo e cultuam a ignorância.

Quem quer trocar o fumo de cigarros comuns pelos eletrônicos, na esperança de diminuir os riscos à saúde, deveria pensar em excluir os dois para viver com mais saúde. É certo que um grande número de sabores e aromas, aliados a aparências atrativas e a ausência do inconveniente odor que os cigarros comuns exalam, não torna os cigarros eletrônicos menos danosos. Ao contrário, segundo especialistas que vêm acompanhando e avaliando a introdução destes cigarros no Brasil, os danos que causam são maiores e mais rápidos, principalmente entre os mais jovens, considerados presas fáceis pela poderosa indústria do fumo, cujo objetivo maior é o aumento de seus lucros.

Boa leitura!