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O ano começou com um belíssimo e solar domingo, trazendo a esperança de um governo eleito com a promessa de nos restituir um ambiente democrático e reconstruir e implementar políticas públicas inclusivas.

Criado no cerne da ascensão do movimento sanitário que defendeu a indissociabilidade de saúde e democracia nos anos 1980, o Programa Radis se identifica com esse espírito. Constituído desde sempre por um pensamento e um jornalismo crítico, vai estar vigilante em relação aos rumos das políticas públicas e espera contribuir com muita escuta à sociedade e muito debate, para que, mais do que reconstrução, encontremos o caminho de construções mais justas, abrangentes e equitativas.

No domingo seguinte àquela posse democrática, o país assistiu em Brasília ao grotesco estrebuchar de uma horda movida por ímpeto antidemocrático e violento, saudosa da ditadura militar de 1964, de uma ignorância e um desrespeito vergonhosos em relação à República, bradando histericamente, espumando ódio e quebrando tudo que aparecia à sua frente, em um ato terrorista voltado a criar um ambiente que permitisse um novo golpe de Estado.

Leal à luta pelas liberdades democráticas e contra a sangrenta ditadura militar e as desigualdades que ela aprofundou, Radis aguarda a responsabilização exemplar dos golpistas e seus apoiadores, repudia a escalada de violência e desrespeito à vida que se ampliou no país nos últimos anos e reafirma seu compromisso de tomar partido do SUS, dos direitos humanos, do aprofundamento da democracia participativa e contra as estruturas de classe, coloniais, racistas e patriarcais que exploram, discriminam, oprimem, excluem e violentam o outro. 

Voltando ao tema da esperança e reconstrução, trazemos com grande alegria em matéria de capa uma entrevista exclusiva com a ministra da Saúde, Nísia Trindade, primeira mulher a ocupar esse cargo e comprometida com a saúde coletiva, a ciência e o fortalecimento do SUS. Entre os temas abordados estão a volta do papel articulador do Ministério da Saúde junto aos estados, municípios e o controle social do SUS, a retomada das altas taxas de vacinação, a prioridade à emergência sanitária e humanitária entre o povo Yanomami, ações interministeriais para lidar com a determinação socioambiental da saúde, o envolvimento e o compromisso do ministério nos debates das conferências de saúde que ocorrem este ano. 

As respostas de Nísia não são óbvias. Há sempre uma reflexão a mais, um aspecto a destacar dentro de um cenário complexo, uma delicadeza, uma empatia e um compromisso ao pensar nos setores mais vulnerabilizados ou invisibilizados da sociedade. Vale a pena conferir.

Há um assunto importante a comentar com você, leitor. Em todos os meses do último ano, cada nova edição da Radis foi disponibilizada em nosso site, divulgada em nossas redes sociais e teve o seu link enviado a todos os assinantes que têm e-mails cadastrados. Porém, como explicado aos leitores que nos procuravam, fomos surpreendidos por uma sucessão de problemas para manter em dia a impressão das revistas, a começar pelo fechamento da gráfica que nos atendia e pela demora e finalmente a impossibilidade de poder habilitar as empresas subsequentes na licitação então vigente e retomar as impressões. No segundo semestre, o obstáculo foi conseguir que as edições novas e as anteriores fossem impressas cumulativamente e em tempo hábil, por meio de um contrato temporário.

Tudo isso produziu uma situação inédita após 20 anos de rigorosa periodicidade no envio da Radis aos assinantes, frustrando tanto os leitores que gostam de receber e folhear cada edição impressa, quanto a todos nós que trabalhamos muito na busca de fazer chegar a 125 mil pessoas e instituições um jornalismo sério, sempre em defesa do SUS e dos direitos da cidadania. Vamos superar esses problemas. A saúde e o SUS precisam da visão crítica e da participação cidadã de nossos leitores. A luta por saúde para todos continua!

Rogério Lannes Rocha - Coordenador do Programa Radis
Comentários para: A luta não para

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