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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no início de janeiro (12/1) o uso do medicamento lenacapavir como alternativa semestral para a Profilaxia Pré-exposição ao HIV (PrEP). A notícia repercutiu positivamente, mas também gerou um questionamento: quem terá acesso à droga no Brasil? Radis reúne aqui informações básicas que ajudam você a entender o que está em jogo.

O que é o lenacapavir

O fármaco Sunlenca, fabricado pela farmacêutica Gilead Sciences, é um antirretroviral de longa duração indicado para o tratamento e prevenção do HIV. A administração via injeção subcutânea, a cada seis meses, faz com que o remédio se torne uma alternativa de prevenção para quem não consegue aderir ao tratamento com uso diário de comprimidos. A medicação também é indicada para tratar adultos e adolescentes com HIV multirresistente.

Inovação contra o HIV

A PreP semestral simplifica o acesso à profilaxia e reduz o estigma e a discriminação associados ao uso diário de comprimidos. “Ampliar as escolhas é fundamental para que cada pessoa encontre o método ideal para sua vida”, defende a Unaids, agência da ONU para o enfrentamento à aids. Além de comprovada maior adesão, o esquema semestral “diminui a carga sobre os indivíduos e os sistemas de saúde, podendo facilitar a implementação em larga escala, mesmo em ambientes com recursos limitados”, argumenta a Anvisa (12/1).

Uso no SUS

A Anvisa informa que o medicamento passará agora pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), que deverá fixar o preço máximo cobrado no país. A sua disponibilidade no SUS, no entanto, está condicionada à avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e aprovação pelo Ministério da Saúde.

Monopólio de mercado

Há um entrave, no entanto. A Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia) alerta que o valor divulgado pelo laboratório farmacêutico inviabiliza a implementação em escala e ameaça o sistema público. O problema, adverte a entidade, é “monopólio”: por um lado, a empresa controla a oferta e decide o preço; por outro, a precificação da Cmed usa como referência o mercado internacional, o que tende a “ancorar” o preço no parâmetro dos mercados ricos. 

Injustiça e privilégio

Para a Abia, trata-se de “injustiça escancarada”, já que o Brasil entrou no mapa de pesquisa clínica, mas foi excluído da licença voluntária de genéricos que cobre 120 países. A inovação precisa representar acesso, complementa a Unaids. A representação da ONU no país defende que a produção a baixo custo é viável, mas o preço de mercado atual cria barreiras que inviabilizam a distribuição. “Inovações que salvam vidas devem ser um direito garantido, não um privilégio”.

Alternativa à vista

A Agência de Notícias da Aids noticiou (23/1) que a farmacêutica responsável pela fabricação do lenacapavir avalia alternativas de cooperação com o Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz (Farmanguinhos) que incluem “o potencial de uma futura transferência de tecnologia para fabricação do medicamento no país”, o que poderia reduzir custos de produção e tornar a fórmula mais acessível no Brasil. Ainda não há compromisso firmado, informa Farmanguinhos. O entendimento apenas estabelece bases para avaliação, discussão e análise. ]

Estudo da Fiocruz

No início de dezembro de 2025 a Fiocruz anunciou o lançamento do estudo ImPrEP Brasil, que irá avaliar a viabilidade da implementação do lenacapavir injetável semestral no SUS. O estudo acontecerá em sete cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Manaus, Campinas (SP) e Nova Iguaçu (RJ), com financiamento da Unitaid, apoio do INI/Fiocruz e Ministério da Saúde. O medicamento será doado pela Gilead Sciences.

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