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Implantada na comunidade de Anã, no coração da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, em Santarém (PA), a Unidade Básica de Saúde (UBS) da Floresta representa uma importante conquista para os ribeirinhos do Baixo Tapajós, na Amazônia.

A unidade, inaugurada com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (26/10), é vista por gestores, pesquisadores e lideranças comunitárias como experiência piloto, com potencial de inspirar políticas públicas voltadas à atenção primária em territórios amazônicos. Além de fortalecer a capacidade de resposta do SUS em áreas de difícil acesso, a experiência reduz a necessidade de deslocamentos longos e custosos até centros urbanos para atendimentos básicos. 

A UBS conta com equipamentos essenciais, como nebulizadores, eletrocardiógrafo digital, kits de emergência e destinados a agentes comunitários de saúde (ACS) e parteiras, entre outros. Também recebeu sistema de energia solar off-grid ou híbrido (solar-diesel), internet via satélite e geladeiras para conservação de vacinas, garantindo funcionamento contínuo mesmo em áreas de difícil acesso.

“Hoje temos condições de armazenar vacinas e remédios. Uma pessoa que sofresse um acidente mais grave era transportada improvisada, em redes amarradas em pedaços de madeira. Agora temos macas. Era muito comum atender sob luz de lamparinas. A UBS foi nosso melhor presente”, comemora o líder comunitário Antônio Ilson Cardoso, também técnico em enfermagem na unidade. 

A UBS da Floresta é fruto de uma parceria do Projeto Saúde e Alegria (PSA) com a Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA) de Santarém, com apoio técnico do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e investimentos da Fundação Banco do Brasil. “Trabalhamos em sistema de plantão aqui. Somos um técnico, dois ACS e uma enfermeira. Um médico geral nos visita regularmente e ainda temos as consultas virtuais”, explica Antônio. 

Maria Odila Godinho, de 74 anos, acompanhou toda a luta da comunidade por mais acesso ao cuidado. Em meio a muitas histórias curiosas sobre situações de emergência em saúde que Anã já passou, ela conta que o mais importante é a confiança que hoje a localidade tem por ter a UBS. “Porque você ter os equipamentos, mas não saber manusear, não adiantaria nada. Agora tem os equipamentos, tem eles [a equipe] que são treinados, que sabem [usar]”, declara.

Modelo que se tornou política pública

Além da visita mensal do médico de família e das consultas online, outra forma que o atendimento médico acontece nas comunidades é quando os barcos-hospitais atracam. Os ribeirinhos já sabem o dia em que a Unidade Básica de Saúde Fluvial (UBSF) vai passar por ali realizando exames, consultas e até cirurgias, além de atividades de educação em saúde, formação de agentes, oficinas de higiene e projetos de pesquisa. 

O programa Saúde da Família Fluvial surgiu inspirado em uma experiência exitosa realizada pelo Projeto Saúde e Alegria. O barco Abaré I, desde 2005, navegava entre os municípios de Santarém, Belterra e Aveiro levando serviços básicos de saúde regularmente nas comunidades. Diante dos resultados positivos, o Ministério da Saúde (MS) lançou a Portaria nº 2.191, em 2010, criando o programa que hoje atende as regiões Amazônica e Pantaneira.

O Abaré I foi a primeira embarcação brasileira qualificada como UBSF, que hoje é acompanhada por outras cem que já aderiram ao programa. A partir delas, milhares de comunidades em áreas rurais passam a ter acesso regular às visitas das equipes de saúde que percorrem longas distâncias e chegam em locais de difícil acesso para levar cuidado continuado, adaptado e de qualidade.

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