Em 40 anos de existência, o Programa Radis de Comunicação e Saúde esteve presente em oito conferências nacionais de saúde — e em muitas etapas municipais e estaduais preparatórias pelo país. A cada quatro anos deslocamos toda nossa equipe para Brasília para acompanhar salas, corredores e bastidores do maior evento do controle social brasileiro na missão de sintetizar toda a riqueza do debate sobre os rumos do SUS.

Na Treze, em novembro de 2007, a baixa mobilização de grupos de defesa de propostas — a não ser o das igrejas e o dos gestores — levou à rejeição do aborto como “questão de saúde pública” e das fundações estatais de direito privado como alternativa de “superar a gestão burocratizada”. O título da capa resumia: “Evento se destaca pelo que rejeitou, não pelo que aprovou” (Radis 65).

A 14ª, realizada em novembro/dezembro de 2011, foi marcada pela defesa de um SUS 100% público e estatal, questão tão forte que nem precisou chegar à plenária final. Nos corredores e nas salas, ecoaram os gritos de “Do meu direito não abro, nós somos contra a privatização” e “A nossa luta é todo dia, nossa saúde não é mercadoria” (Radis 115).

“Democracia é essencial à saúde e saúde é democracia”, cunhava nosso editorial sobre a 15ª, em dezembro de 2015 (Radis 160), impactada no terceiro dia pela notícia de que o então presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, havia aceitado o pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff.
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