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Um paciente atendido de manhã, de tarde seu médico publica toda sua história preservando seu nome e imagem. Com riqueza de detalhes o colega explora as chagas daquela vida que começa a se despedir. Vai descrevendo as tristezas e angústias não explicáveis. Assim como o corpo, a alma vai ficando exposta com suas feridas… são fortes relatos. O paciente sabe o nome do médico, a um clique ele acha sua rede social, seus familiares também, seus amigos… a descrição perfeita não deixa dúvidas: aquela foto dolorosa é dele.

Ainda vivemos um tempo em que as imagens são divulgadas “com consentimento”. Um consentimento torto colhido de um vulnerável. Sim, a gente adoece e fica mais vulnerável. “Como dizer não àquela foto do doutor?!…”

Ainda pode ser que uma mãe ou um filho, achem a foto do seu ente doente, anos depois, num simples “search” de internet. As descrições verbais e escritas das histórias podem expor mais até que uma imagem. Será que devíamos respeitar um espaço temporal? Será que devíamos ter ainda mais cuidado com o que escrevemos? Acho que sim.

* Médico geriatra e vice-presidente da Associação Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP). O texto foi originalmente publicado no Instagram (16/02).
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