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“Conosco, não por nós”. Assim, a campanha deste ano no Dia Internacional da Síndrome de Down retoma o sentido da frase “Nada sobre nós sem nós”, presente na luta dos movimentos de pessoas com deficiência e de outros grupos sociais invisibilizados, vulnerabilizados, subalternizados ou sub-representados.

“Na prática, significa reconhecer as pessoas com síndrome de Down como sujeitos de direitos, que devem ter participação ativa nas políticas públicas e na vida em sociedade, com as mesmas oportunidades de qualquer pessoa”, sintetiza a repórter Licia Oliveira, que assina a nossa matéria de capa.

Em um texto sensível, ela traz histórias inspiradoras de pessoas com síndrome de Down e de seus familiares que lutam por respeito, direito e reconhecimento. Além das interessantes histórias de vida, os entrevistados falam sobre questões como estigma, preconceito, capacitismo, dupla invisibilidade das pessoas negras com a síndrome, inclusão escolar, acesso a tratamentos em condições adequadas, escuta e envelhecimento.

A seção Súmula registra a volta ao centro das atenções, na esfera pública, do combate à fome e do necessário enfrentamento às desigualdades e às diversas formas de violência contra as mulheres.

A iniciação e o engajamento das muitas juventudes — díspares em razão de classe, gênero, escolaridade e territórios — nas atividades de pesquisa é a aposta do projeto Jovens Investigadores para renovar o fazer da ciência e transformar a realidade social. Radis ouviu o que pensam e pesquisam três participantes do projeto abrigado na plataforma Agenda Jovem Fiocruz.

Na linguagem de história em quadrinhos e com desenhos de Camilla Siren, a psicóloga e pesquisadora Dulce Ferraz inspirou-se em sua própria vivência para contar “Minhas reviravoltas com o câncer de mama”, levando o leitor a acompanhar as dúvidas, as emoções e os pensamentos da personagem Carol, a partir do descobrimento da doença.

Essa edição discute também a importância da literacia em saúde na apropriação pelos cidadãos das informações sobre saúde e na relação com os serviços de saúde. Literacia em saúde implica na compreensão da linguagem própria do âmbito da saúde e da ciência, mas também na possibilidade de maior autonomia do cidadão na comunicação com os profissionais de saúde, ou mesmo para lidar com a circulação de informações duvidosas, como se viu na pandemia de covid-19.

A propósito do Movimento Nacional pela Vacinação, lançado pelo Ministério da Saúde para retomar as altas taxas de cobertura vacinal no país, Radis entrevistou Renata Ribeiro Gómez, autora da pesquisa “Os sentidos da antivacinação em um grupo brasileiro do Facebook e suas relações com o discurso dominante sobre imunizações”.

Revistas em atraso

Voltamos a um assunto que nos inquieta: o atraso na impressão e na entrega das revistas. Seguimos enfrentando os efeitos cumulativos da inadequação de gráficas, da lentidão dos serviços dos Correios que visavam, até há pouco, à sua “desestatização” e dos tempos e meandros da burocracia na administração pública, que parecem voltados a empurrar o serviço público para a estagnação ou para as alternativas privatizantes.

É lamentável conviver com a demora com que as edições anteriores têm chegado aos leitores levando as matérias produzidas com tanta dedicação. Muitas delas já foram publicadas em outros formatos em nosso site e em nossas redes sociais, cujos acessos, felizmente, não param de subir. No entanto, a comunicação digital e a analógica não são excludentes, são estratégias e formatos complementares e necessários à comunicação. Nada substitui também a capilaridade da circulação da Radis e a diversidade dos 125 mil leitores da revista impressa em todos os estados e municípios.

Já passamos por situação semelhante, em 1994. Dificuldades com o mercado de gráficas interromperam a trajetória de uma importante publicação do Programa Radis, o jornal Proposta, que durante nove anos foi o porta-voz da Reforma Sanitária, repercutindo a 8ª Conferência Nacional de Saúde, cobrindo os bastidores da Constituinte, mobilizando a sociedade para influir no texto da Saúde na Constituição de 1988. O jornal produziu memoráveis reportagens sobre a determinação social dos processos de saúde e doença e sobre a construção do SUS nos quatro cantos do país.

Em 2002, a criação da Revista Radis representou, entre muitas inovações, o resgate do espírito do jornal Proposta em nosso jornalismo. Com seu enorme alcance e credibilidade, a Radis ainda tem muito a contribuir. No que depender da equipe de trabalhadores do Programa Radis, a nossa, a sua Revista Radis não vai acabar. Vai superar mais esses desafios e seguir cumprindo o seu papel singular para que a sociedade brasileira lute pelos seus direitos, por um SUS de qualidade e por uma vida digna para todos.

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