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13 de setembro de 1987

Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves retiram aparelho de radioterapia abandonado das ruínas do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), no Setor Central, em um terreno que pertencia à Santa Casa de Misericórdia. Para vender a peça a um ferro-velho, eles removem o lacre da cápsula, na qual estava a substância até então desconhecida.

18 de setembro

Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho na Rua 26-A, no Setor Aeroporto, compra a peça e a deixa em seu depósito. À noite, percebe a emissão de um brilho azul. Era o pó de césio-137. Impressionado, ele leva a peça para casa. Nos dias seguintes, distribui a substância brilhante a amigos e familiares.

28 de setembro

As pessoas que manipularam a substância começam a apresentar problemas de saúde, como coceiras, vômitos e diarreia. Maria Gabriela, esposa de Devair, pega um ônibus e leva a cápsula em uma sacola plástica à sede da Vigilância Sanitária, também no Setor Aeroporto.

29 de setembro

O físico Walter Mendes Ferreira é chamado para analisar a substância desconhecida deixada na Vigilância Sanitária. Com um aparelho de medição de radiações ionizantes, ele identifica o risco e orienta a evacuação imediata. O acidente é oficialmente reconhecido e notificado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que depois comunica o caso à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

30 de setembro

Técnicos da CNEN chegam a Goiânia e, com o auxílio de medidores de radiação, mapeiam locais contaminados na cidade. Na equipe está o físico José de Júlio Rozental, que ficou responsável por coordenar as ações de controle e a mitigação das consequências do acidente.

Outubro de 1987

Ao longo do mês de outubro, organiza-se no Estádio Olímpico (atual Centro de Excelência do Esporte) um esquema de triagem e monitoramento, pelo qual passam 112.800 pessoas. Dessas, 249 são identificadas com contaminação, em menor ou maior nível. No final, 129 necessitam de acompanhamento médico permanente.

23 de outubro

Morrem Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, e Maria Gabriela Ferreira, sobrinha e esposa de Devair, o dono do ferro-velho. Elas foram contaminadas pelos fragmentos de césio que Ivo Alves Ferreira, pai de Leide, ganhou do irmão, no dia 24 de setembro e levou para a casa da família. Leide foi a mais afetada por ter brincado com o pó e ingerido partículas. 

25 de outubro

Os rejeitos do césio-137 chegam ao então distrito de Abadia de Goiás, a pouco mais de 20 km da capital, e são armazenados em um depósito provisório, embaixo de um piso de concreto a céu aberto.

27 de outubro

Morre a terceira vítima do acidente, Israel Batista dos Santos, de 20 anos, funcionário de Devair. Ele trabalhou na remoção do chumbo da fonte.

28 de outubro

Admilson Alves de Souza se torna a quarta vítima fatal, com apenas 18 anos. Ele também era um funcionário do ferro-velho, e manipulou a fonte radioativa. Ele e as outras três vítimas foram enterradas em caixões revestidos de chumbo.

21 de dezembro

Encerra-se o processo de descontaminação de Goiânia, envolvendo 40 técnicos da CNEN. No total, sete casas foram demolidas e 41 evacuadas, por focos terem sido identificados.

10 de março de 1988

Em uma audiência no Congresso Nacional à Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado Federal, o presidente da CNEN, Rex Nazaré Alves, apresenta o “Relatório do Acidente Radiológico de Goiânia”, que marca a conclusão da descontaminação da cidade.

1989

Determina-se que o repositório construído em Abadia de Goiás será o local definitivo dos rejeitos radioativos. Somente em 1991 começa a construção do depósito definitivo que abrigaria os rejeitos e do complexo administrativo que sediaria o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste (CRCN-CO). 

1997

O depósito de rejeitos radioativos de Abadia de Goiás é inaugurado oficialmente. O espaço abriga um depósito com 40% do total de rejeitos, considerados menos radioativos; no outro, onde estão abrigados 60% dos rejeitos, estão os restos da fonte principal que originou o acidente de Goiânia.

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