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As mães da microcefalia. As mães cientistas. As mães do cárcere. As mães de crianças com deficiência, de pessoas trans, mães solo, mães em situação de rua ou doadoras do banco de leite. Mães indígenas, quilombolas, que vivem com HIV, que passam fome, que perderam o filho para a violência. Todo o dia é dia delas, pois os filhos estão sempre em sua mente, corpo e ações.

Em diferentes edições e reportagens, Radis já abordou o tema da maternidade, principalmente pelo enfoque da saúde materna e do parto. Ao longo da história, nossas matérias tentaram trazer as vozes dessas mulheres e suas lutas por direitos.

Ao resgatarmos essa memória das publicações do Programa Radis sobre o tema da maternidade, percebemos que muitas capas em que as mães são protagonistas pertencem ao universo de gestantes, parturientes e daquelas que viviam o período pós-parto. Por isso, dentre tantas reportagens sobre o protagonismo das mulheres e, principalmente, das mães, este especial traz as matérias que falam sobre o gestar, o parir, o puerpério e, infelizmente, sobre a mortalidade materna (tema muito presente nas publicações dos anos 1980 e 1990).

Essas são questões muito importantes para a saúde coletiva, mas ainda cercadas de tabus e com a recorrência a práticas e técnicas que não respeitam o corpo e os sentimentos da mulher que está com uma criança no ventre. Uma exceção a esse enfoque na saúde materna é a reportagem Mães Coragem (Radis 222), que traz a história de mães de crianças com microcefalia, cinco anos depois da epidemia de zika. Confira.

Alimento Universal

Radis 256 (janeiro de 2024)

Doação de leite humano faz do Brasil uma referência mundial na promoção ao aleitamento materno
— Nossa capa: foto de Eduardo de Oliveira.

A capa de Radis que traz reportagem sobre os 40 anos da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano reforça a importância do aleitamento materno, especialmente nos casos de nascimento de bebês prematuros ou com outras intercorrências, e o papel fundamental dos bancos de leites para que estas crianças possam ser alimentadas. “Um pote de 200 ml de leite doado pode alimentar até 10 bebês prematuros ou de baixo peso”. 

Para que esse alimento essencial chegue às crianças, a reportagem de Liseane Morosini mostra como o protagonismo das mães como doadoras é imprescindível para a oferta e disponibilidade de leite materno para os bebês que precisam. Jecita Pereira Clares, uma das mães ouvidas pela reportagem, amamentou o filho na primeira gestação, mas não era doadora. Depois de ter vivenciado todo o processo de seu filho mais novo, nascido com 25 semanas, ela afirma: “Tenho esperança de que com o Benjamin vindo para o peito, eu tenha a produção que eu tive antes para poder doar”.

Mães Coragem

Radis 222 (março de 2021)

O cotidiano de luta e esperança de mulheres que tiveram filhos com microcefalia durante a epidemia de zika
— Capa: Secretaria Municipal de Educação de Duque de Caxias. Foto: Maju Monteiro. A foto integra a exposição virtual “Zika: vidas que afetam”, da Rede Zika Ciências Sociais em parceria com o Museu da Vida (Fiocruz)

A reportagem de capa assinada por Ana Cláudia Peres traz o forte relato de lutas e alegrias de mães de crianças que nasceram com microcefalia em decorrência da epidemia de zika ocorrida entre 2015 e 2016. Elas contaram sobre a transformação familiar e o esforço para terem os direitos garantidos, ao mesmo tempo em que narraram as alegrias que as crianças lhe trouxeram, a despeito do preconceito e das dificuldades enfrentadas por cada uma delas. 

Inabela Tavares, mãe de Grazi (na época com cinco anos), disse: “Quando vi que tinha um monte de mães brigando pela mesma causa, eu mesma me perguntei: ‘O que eu estou fazendo aqui, sentada?’. E assim que pude, eu fui e vou para todos os jornais possíveis pra minha filha não cair no esquecimento. O que for direito dela, eu vou atrás”. E expressa todo seu amor e dedicação à filha: “Grazi é minha inspiração de hoje eu estar de pé. Eu vejo a minha filha lutando todo dia para sobreviver mais um dia de vida. É inacreditável”.

Mães do Cárcere

Radis 172 (janeiro de 2017)

Nesta edição, Radis mostrou como é a vida das mulheres grávidas e que depois dão à luz e amamentam nas prisões brasileiras. Mesmo com direitos assegurados por leis, a reportagem de Ana Cláudia Peres aborda as ameaças à saúde, as condições precárias e as consequências físicas e emocionais de mulheres que tiveram seus filhos ou estavam amamentando enquanto detentas. 

Glicélia da Silva, uma das lideranças no território Tupinambá de Olivença, no sul da Bahia, foi presa, acusada de formação de quadrilha por liderar um protesto em defesa da comunidade quando seu filho tinha apenas 3 meses e ficou com medo de ter que se separar dele após uma mastite: “Eu adoeci. Fiquei com os seios inchados, tive muitos tumores. Nesse período, foram as detentas que me acolheram; não os agentes”. A pesquisadora Maria do Carmo Leal, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), que na época coordenou a pesquisa “Saúde Materno Infantil nas prisões do Brasil”, afirmou: “Essas detentas estão presas, na maioria das vezes, por tráfico de drogas, ou por delitos leves. Não encontramos mulheres com alto grau de periculosidade ou violência”. Ela também esclareceu que cerca de 80% delas nem haviam sido julgadas e estavam cumprindo prisão provisória mesmo sem saber se seriam condenadas.

Acesso e humanização, direitos da mãe e do bebê

Radis 117 (maio de 2012)

Um panorama sobre pré-natal e parto no Brasil foi o tema da reportagem de capa assinada por Elisa Batalha, em que problemas como medicalização excessiva e falta de acesso e de humanização ainda estavam muito presentes no modelo de assistência à mãe e ao bebê no cenário brasileiro, mas havia esperanças de mudanças desse quadro. Enquanto ocorria a redução no quadro de mortalidade infantil, em relação à morte materna o ritmo era mais lento. 

Naquela época, o país também era recordista no mundo em partos cirúrgicos, sendo que este tipo de parto deveria ser uma exceção e não a regra. Para a reportagem, Sônia Lansky, médica e uma das idealizadoras do Plano de Qualificação das Maternidades (PQM), explicou a razão do problema: para fugir de um atendimento inadequado ao parto normal, com muitas intervenções e sem respeito aos mecanismos fisiológicos femininos, ela afirmou que foi montado “um cenário de segurança e conforto, um circo de horrores”. Ainda na reportagem, também foram mostradas ações no SUS voltadas para a humanização do parto.

Assistência Perinatal e Neonatal no Brasil

Tema 17 (fevereiro de 1999)

A revista Tema, uma das publicações do Programa Radis, anteriores à atual revista, trouxe uma edição dedicada ao cenário de assistência perinatal e neonatal no Brasil. A publicação aborda o papel do SUS na organização do cuidado, os índices e os fatores de mortalidade materna e neonatal, como deveriam ser as intervenções durante a gestação, o parto e o puerpério e a gestão dos serviços de saúde. Naquele momento, também estava em andamento o estudo de medidas para reduzir o número de cesarianas sem a real necessidade.

O holocausto materno no Brasil

Súmula 67 (abril de 1998)

A edição 67 de Súmula, publicação anterior à revista Radis, trazia o dado que 1 a cada 130 mulheres corria o risco de morrer pelas consequências da gravidez ou do parto, sendo que o cenário ideal, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) deveria ser de 1 a cada 3 mil casos. As principais causas para este cenário no Brasil eram a inexistência de um pré-natal de boa qualidade e o atendimento precário e tardio à gestante, ou até mesmo a falta deste atendimento.

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