As mudanças climáticas já são realidade e os indícios são claros. Agosto de 2026 empatou com julho de 2023 como o período mais quente da história, com os termômetros registrando temperatura média de 16,96 graus Celsius. Dados divulgados pelo serviço europeu de monitoramento climático Copernicus indicam que o aquecimento global provocado pela queima de carvão, petróleo e gás natural resultou no aumento de 1,65 grau Celsius da temperatura, ultrapassando o limite de 1,5 grau estabelecido pelo Acordo de Paris.
Ondas de calor extremo, incêndios florestais e inundações acontecem em diferentes continentes; no Hemisfério Norte, o verão bateu todos os recordes históricos; nos oceanos, a temperatura média da superfície do mar atingiu 21,07 graus Celsius, em agosto. A situação tende a se agravar, alertam os cientistas, com os efeitos do El Niño, que deve intensificar eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas. Os impactos já afetam economias e ecossistemas em todo o planeta, inclusive no Brasil.
Por aqui, os alertas são visíveis e preocupantes, já que o fenômeno pode amplificar riscos já existentes em territórios marcados por desigualdade, ocupação de áreas suscetíveis a inundação e deslizamento, déficit de saneamento, fragilidade da infraestrutura urbana e exposição crescente a calor, seca, queimadas e insegurança hídrica, como aponta nota técnica produzida pelo Observatório de Clima e Saúde, ligado ao Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) [Leia mais sobre os efeitos do El Niño na Radis 287].
Radis preparou, nesta edição, uma série de matérias sobre as estratégias de adaptação climática, com foco nos caminhos para reduzir os impactos sobre diferentes populações, especialmente aquelas em situação de maior vulnerabilidade. Como as cidades, o SUS e os territórios estão respondendo a esse cenário e o que ainda é preciso fazer para que as políticas públicas estejam atentas à emergência climática?



