O SUS não nasceu da noite para o dia. Não surgiu de um decreto ou benesse assinada por um governante, nem caiu do céu como uma dádiva. Idealizado pelos movimentos sociais que participavam das lutas pelo direito à saúde, referendado na Constituição de 1988 e desenhado na Lei 8.080 de 1990, ele ganhou vida no cotidiano de cada um dos serviços de saúde espalhados pelo país, pelas mãos de trabalhadores e trabalhadoras que fizeram o sistema público brasileiro existir e resistir ao longo dos últimos 35 anos.
Ele está presente desde a atenção básica até os transplantes. Do tratamento oncológico à vacinação. Dos quilombos às favelas. Das farmácias às escolas. Nas conferências, conselhos e espaços de participação popular. Nos supermercados, aeroportos, bares e restaurantes, nas casas e na vida das pessoas. Mais do que presente, ele é conquistado dia a dia por meio da luta de trabalhadores e trabalhadoras, gestores e usuários que enfrentam os ataques e mantêm de pé o maior sistema público de saúde do mundo, que atende a uma população de 213 milhões de brasileiros, de forma universal, gratuita e integral, além de estrangeiros que visitam o país.
Mesmo com os problemas e a escassez de recursos, o SUS é referência internacional em diversas áreas e sua existência garantiu melhora nos indicadores de saúde da população brasileira. Para celebrar os seus 35 anos, que tomam como referência a criação da chamada Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080 de 19 de setembro de 1990), Radis dedica esta edição especial a compreender como os princípios que inspiraram a criação do SUS — universalidade, integralidade e equidade — são vivenciados na prática. As reportagens revisitam os pilares do sistema e mostram, entre acertos e dificuldades, como cada um deles tem sido transformado em realidade.



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